Boas Vindas

Se é, está, ou foi lixado, seja bem vindo a um blogue P´ralixados. Se não é, não está ou não foi lixado, seja bem vindo na mesma porque, pelo andar da carruagem, mais cedo do que tarde acabará também por se sentir lixado. Um abraço.

sábado, 27 de abril de 2013

Mais Buracos do que um Assador

(Imagem retirada da Internet)
 
Neste país de poetas, conhecido por  "um jardim à beira mar plantado", estávamos todos (quase todos) convencidos que éramos um país a sério. Com um Presidente a sério, com um Governo a sério, com uma Justiça a sério, com uma Organização Politica e Administrativa a sério,  com cidadãos…  a sério e com políticos sérios.
 
Pois… estávamos, mas estávamos mal, porque não somos. Em vez de um país, de poetas no jardim, a sério, somos é um país-assador e pouco sério, porque somos um país que só tem buracos e dos grandes. Buracos pelos quais se escoam os milhares de milhões dos nossos Impostos, e os milhares de milhões que pedimos emprestado aos "mercados" (alguém sabe o que são os mercados?) e os milhares de milhões que a “Troika” já cá meteu.

Todos estes milhares de milhões são reais, entraram no circuito financeiro, mas que ninguém sabe onde foram parar porque este assador gigante encarrega-se de fazer desaparecer pelos seus buracos todo o dinheiro que, azar dos azares, vai parar às mãos do Estado, Estado que tem por (mau) gestor o Governo do próprio Estado. Será que são buracos negros? Dizem os astrónomos que tudo o que, nos confins do Universo, cai num buraco negro desaparece. É que cá neste ancestral pedaço de Universo, sem idade mensurável para a minha modesta compreensão, acontece o mesmo, também há buracos e a avaliar pelas amostras são bem negros.
 
São buracos que tudo envolvem e nada devolvem, tudo sugam e nada vomitam. Vejamos alguns daqueles que não foi possível esconderem-nos e não pudémos deixar de conhecer (porque outros estarão, por enquanto, bem camuflados):
 
- Ele é o “buraco do BPN”; 6 mil milhões de Euros (até agora).
- É o “buraco da Madeira”;  mais 5 mil milhões.
- Mais o “buraco das dividas das EP´s”; Fala-se (ninguém sabe ao certo) em 5,8 mil milhões;
- Soma-se o “buraco das dívidas das Autarquias” (são dívidas caucionadas pelo Estado Português), das quais se fala, mas também ninguém sabe ao certo, em quase 10 mil milhões. Só depois das eleições autárquicas, em Setembro, é que os novos autarcas começarão a descartar-se dos buracos dizendo “este buraco não é meu”, e até vem a calhar porque em Outubro é tempo de castanhas em assador de buracos;
- Acrescente-se o "buraco das Parcerias Publico Privadas) com mais uns milhares de milhões, alguns já pagos e outros que pagaremos, com lingua de palmo, durante muitos anos;
- Recentemente mais um buraco, o “buraco dos “Swaps”” nas EP´s  dos Transportes, parece que mais 3 mil milhões.
 
Para onde foi tanto dinheiro? Alguém sabe, ou alguém se acusa? É imperativo que se saiba o destino, porque, não sendo o dinheiro dado a passes de mágica, se ele não está no circuito económico, então alguém se “abotoou” com ele.
 
E já alguém foi chamado à barra da Justiça? Também não há notícia dessa ocorrência.
E condenado, alguém foi? Nem arguidos, quanto mais condenados.
 
Estes e outros “buracos” levaram o país a ter que ser resgatado (pedir dinheiro emprestado, para não falir, hipotecando a sua soberania aos credores), resgate através do qual se gerou outro gigantesco “buraco” que nos suga mais 8 mil milhões por ano, só em juros.
 
Afinal parece que nem com um assador nos podemos comparar, porque as castanhas não passam pelos seus buracos, como passou, e continua a passar, o dinheiro pelas crateras que se cavaram no nosso país.
 
Alguém com poder de fazer e administrar a Justiça que acorde da letargia em que se encontra, ou  isto vai acabar mal, ai vai, vai, mesmo muito mal.

sábado, 20 de abril de 2013

A Derrocada...

 
(imagem retirada da Internet)

Lavoisier deixou-nos na sua teoria que “na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Se fizermos um esforço de abstração, em Economia é mais ou menos o mesmo. A despesa de uns transforma-se na receita de outros e vice versa. Podemos constatar isso na nossa economia doméstica pessoal, na qual o nosso salário é a nossa receita e é a despesa do nosso patrão. A nossa despesa no supermercado, no talho, na oficina, etc. é a receita dessas entidades.
 
Se quebrarmos um elo dessa cadeia, alguém deixa de fazer despesa, ou passa a fazer menos, e alguém deixa de ter receita, ou passa a ter menos. Foi o que o nosso Governo e a Troika fizeram: - Com a obcessão de diminuir o déficit de uma penada, quebraram alguns elos da cadeia do Sistema Económico do país e fragilizaram outros. Como a Economia de um qualquer país é um sistema de interdependências, quando se quebra uma cadeia ou se altera um fluxo sem avaliar os impactos dessa atitude em toda a cadeia que é o país real, dá no que deu em Portugal. Passados que são dois anos estamos bem pior do que estávamos em 2011. Produzimos menos, devemos mais, se produzimos menos temos menos rendimento líquido, temos mais desemprego, o Estado arrecada menos impostos e tem mais despesa com o chamado “Estado Social” e estamos todos (os que de algum modo vivemos do rendimento do trabalho - passado ou presente) mais pobres.
 
Se este ciclo infernal não for cortado (dizia um politico conhecido, se não deixarmos de escavar mais o buraco) a derrocada do país está mesmo ali à frente. E, sem alarmismos, o que é isso da derrocada? Simples: - Não havendo dinheiro, não haverá palhaços, ou seja: O país paralisa, não produz, endivida-se mais, e mais, e ainda mais (enquanto houver quem empreste), até que deixa de ter emprestado e de poder pagar o que lhe emprestaram. Não havendo produção interna suficiente, nem dinheiro, também não haverá importações (estamos muito longe de produzir o que consumimos, mas isso é história para outro “post”). Os bens essenciais escasseiam, entra em funcionamento o racionamento (relembro 1983) e floresce o  “mercado negro” para quem tiver ainda algum poder de compra. Será o caos, económico e social e, mais uma vez, quem vai sofrer são os mesmos de sempre, os mais carenciados e que em absolutamente nada contribuíram para este estado de coisas, ao contrário do que nos querem fazer crer.
 
Como chegámos então a esta encruzilhada? Pura e simplesmente porque alguns elos da cadeia económica foram cortados de forma abrupta, radical e quase definitiva. Atentemos na imagem seguinte:
 
(Clique na imagem para ampliar)
 
No retângulo verde (à esquerda) temos a expressão do que o país produz. Para o exemplo não importa quanto. Suponhamos uma quantidade “K”.  Aquilo que produzimos, gera duas coisas: Riqueza Líquida (os nosso salários líquidos, e os lucros de quem investiu para produzir) e Impostos (os dos trabalhadores e os das empresas).
 
Os nossos Salários e os Lucros dos Investidores sustentam o Consumo Privado e o Investimento Privado (aqui podemos também incluir a Banca, porque os seus financiamentos sustentam-se na riqueza líquida, pode é vir de outro país, o que significa endividamento. Outra história).
 
O Consumo Privado gera impostos, e de certo modo também contribui para o Produto Nacional. O Investimento Privado depois de  “transformado” em produtivo, gera mais riqueza.
 
Os Impostos cobrados pelo Estado alimentam 3 importantes componentes gastadoras da economia:  Os Gastos do Estado em si mesmo, para funcionar, (Governo, Assembleia, Ministérios, …). Os Serviços que presta aos cidadãos (Saúde, Educação, Infraestruturas e Prestações Sociais (Desemprego, RSI, Doença, etc.). E Investimento Publico (construção de Hospitais, Escolas, Estradas, Pontes, etc.)
 
Ora o que aconteceu nestes dois anos que o Governo leva em funções com maior impacto no Sistema foi o CORTE TOTAL DO INVESTIMENTO PÚBLICO (salvou-se o QREN, dinheiro da EU, mas reduzido à ínfima espécie e que até já serve para financiar despesa corrente do Estado). E um corte “cego” no FUNCIONAMENTO DO ESTADO que gerou milhares de desempregados e de precários que estavam contratados a prazo.
 
Estes dois fatores fragilizaram o Produto do País, que por sua vez diminuiu a riqueza, aumentou o desemprego, reduziu a receita dos impostos e impactou todos os fatores do conjunto direito da imagem, sobretudo o aumento dos encargos do Estado com os cidadãos (subsídio de desemprego e reformas antecipadas). Toda a cadeia ficou em deficit e para agravar a situação há um outro fator que não está na imagem e que é uma resultante do colapso da cadeia de produção que é a dívida (os impostos não conseguem sustentar a máquina do Estado e este pede emprestado) tema que está tratada de forma independente num “post” de Março, “O Monstro da Dívida”.
 
Como o ciclo se repete e intensifica a cada dia, a derrocada acabará por ser inevitável. Só um milagre na Europa, que conduza a que o Governo atue nos fluxos que fragilizou e que alimentam a Produção Nacional (Investimento Público, Investimento Privado, Consumo Publico e Consumo Privado) nos salvará da mais do que certa derrocada económica e social, da qual não recuperaremos nas próximas décadas.
 

sábado, 13 de abril de 2013

Uma Aventura com... Ouro

(Imagem retirada da Internet)

Sempre que a turbulência se instala num país, se apodera de uma moeda forte ou uma bolsa de referência se revela instável, o Ouro (ouro em barra e de pureza 99,99%) tem sido uma opção de refúgio para os investidores, e, seguindo a lei da oferta e da procura, sempre que a procura de ouro aumenta, o seu preço aumenta também.
 
Para os investidores particulares o ouro é comercializado em pequenas barras de onça troy (31,103 gramas) e mais recentemente também em barras de gramas, desde 1 grama a 1 quilograma.
Para os investidores institucionais, p. ex. estados e instituições financeiras, o ouro é comercializado em lingotes de 400 onças troy, quase 12,5 Kg.
 
Ora é destes lingotes que Portugal possui uma das maiores reservas do Mundo de ouro em barra. Estamos em 14º lugar com 382 toneladas o que à cotação atual da onça equivalem a cerca de 15,5 mil milhões de Euros.
Porém atualmente a nossa reserva é já menos de metade do era em 25 de Abril de 1974 que ascendia a 865 toneladas. Desde então os Governos, através do Banco de Portugal, têm procedido a vendas, com vários objetivos, mas quase sempre para equilibrar as Contas do Estado.
 
Ora acontece que no início da década de 90 ocorreu um episódio rocambolesco com uma parte das reservas de ouro do Estado Português à guarda do Banco de Portugal, episódio de que poucos tivémos conhecimento, e que envolveu o Primeiro Ministro e o Governador do Banco de Portugal de então, episódio que se pode resumir assim:
 
O Primeiro-Ministro e o Governador do Banco de Portugal, resolveram dar uma de garimpeiros e jogar ao poker com o ouro do país e vai daí, "depositaram" (mesmo fisicamente) 17 toneladas do dito ouro num sonho de lucros fáceis, prometidos por um especulador Americano de nome Michael R Milken, Presidente Executivo de uma empresa chamada Drexel Trading, uma subsidiária da Drexel Burnham Lambert, em Nova York, que atuava no mercado mundial ao estio da Dª Branca portuguesa.
 
Desse "investimento" de cerca de 685 Milhões de Euros à cotação atual, resultou um desastre financeiro e Portugal só conseguiu reaver uma pequena parcela, já com o Mr. M Milken atrás das grades, acusado de 98 fraudes em março de 1989 (ainda antes do envio do ouro português para a Drexel) e condenado em 1990, pela juíza Kimba M. Wood, a dez anos de prisão, que mais tarde foram reduzidos para 5 e acabou por cumprir dois anos de prisão efetiva e mais seis de Serviço Cívico.
 
O que se recuperou desta aventura acabou por ser insignificante porque foram os “restos” que sobraram depois de distribuído o bolo principal dos activos da Drexel pelos credores locais e depois de abatidos os custos judiciais resultantes de uma ação movida através dos advogados de Wall Street da firma Cadwalader, Wickersham & Taft em nome do Banco de Portugal, e que foi a ação judicial mais cara da história de Portugal, quase 20 milhões de Dólares a valores atuais.
 
Em 9 de Maio de 1990 deu entrada na Assembleia da Republica Portuguesa o Projeto de Resolução Nº 83/V, para que os Deputados da Nação fossem esclarecidos sobre este escândalo, ação que, de acordo com o Regulamento da AR caducou em 3 de Novembro de 1991 porque o PSD nunca viabilizou a sua discussão, e assim o país ficou quase na ignorância do que efetivamente se passou.
 
E agora é que vem a parte interessante da aventura:
 
Pois pasme quem não souber ou não se recordar - o Primeiro-Ministro de então era o Sr. Prof. Dr. Cavaco Silva e o Governador do Banco de Portugal o Sr. Dr. Tavares Moreira, que ainda andam por aí a dizer que os políticos devem ser responsabilizados criminalmente pelos seus atos. Pois… eu também acho que sim, mas sem exceções.
 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Receita ...

(Imagem da Internet) 

Advirto quem ler este “post” que qualquer semelhança do seu conteúdo com casos da vida real é pura coincidência… ou talvez não.
 
Os proprietários de um modesto restaurante do Bairro Europa, que servia excelente comida a preços convidativos, resolveram despedir o Gerente e toda a sua equipa porque desconfiavam da sua honestidade, e, além disso, não estava a obter os resultados que o investimento feito exigia, tendo contratado uma nova equipa, com um novo Gerente, sem grande experiência, a comandar as tropas.

Acontece que passado algum tempo sobre a novidade da equipa remodelada, começaram a haver muitas reclamações dos clientes sobre a qualidade da comida, tendo alguns deixado de frequentar o restaurante, tal o seu descontentamento.
 
Para conter a insatisfação dos clientes o Sr. Coelho, o novo Gerente, substituiu dois empregados de mesa menos simpáticos, o cozinheiro adjunto, alterou a decoração, comprou loiça e talheres novos e até o trem de cozinha, incluindo o fogão, foi substituído.
 
Mas esta ação, na qual gastou uma pipa de dinheiro, não resolveu, nem sequer atenuou, nem a revolta dos clientes nem a sua fuga para a concorrência.
 
Então resolveu dar instruções radicais para a cozinha para alterarem totalmente a ementa, substituindo os pratos tradicionais por outros mais austeros, mas a situação não melhorou.
 
Alarmado com a quebra de receitas para fazer face às despesas de funcionamento, pagamento da dívida, salários do pessoal, incluindo o seu próprio, o Sr. Coelho, tomou a decisão de baixar os preços. Lá se ia a margem de lucro dos proprietários, mas pelo menos ainda asseguraria o seu salário e recuperaria os clientes perdidos.
 
Acontece que a decisão não produziu qualquer efeito prático, e já em pânico decidiu oferecer uma refeição grátis a cada dois clientes, ou seja, aumentou as despesas e reduziu as receitas em mais de 50%.
 
Pelo menos conseguiu suster a quebra de clientes, mas as reclamações sobre a qualidade das refeições essas continuaram.
 
Nas suas cogitações e já em desespero, lembrou-se, Eureka!!!  O Gaspar, o cozinheiro, … o desastre tinha-se acentuado com a entrada da nova equipa para o restaurante, na qual ele se incluia, e se não era ele o reponsável, quem mais poderia ser senão o cozinheiro?
 
Despediu o Gaspar e vai daí,  milagre!!! As reclamações acabaram e os clientes, apesar de alguma desconfiança,  começaram a regressar.
 
Moral da história: - A solução estava em substituir o cozinheiro, porque enquanto o cozinheiro não foi mudado a receita continuou a ser a mesma e os seus efeitos cada vez piores. Talvez alguém cá no nosso "bairro" devesse fazer o mesmo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Moral, Ética e Politica

(imagem retirada da internet)

Cumpre-me referir, como declaração introdutória deste “post”, que absolutamente nada de pessoal me move contra os políticos; que não sou contra os políticos, e muito menos sou contra os partidos. Antes pelo contrário, eles são a essência da democracia, sistema politico que, com os seus defeitos e insuficiências, é, ainda assim, o melhor que conheço da vivência pessoal e da História. O que não tolero, e isso sim sou contra, como adiante se verá, é o estado de desastre a que uns e outros, nas últimas duas décadas, conduziram o nosso país e agora jogam, entre si, um “jogo do passa culpas” para alijarem as suas responsabilidades colocando-as em nós cidadãos. Cidadãos que chamam de “gastadores” e “preguiçosos”  e a quem querem convencer que vivemos além das nossas possibilidades (como se isso fosse sequer possível), insistindo em nos intrujar fazendo de nós culpados, quando apenas somos as vítimas dos seus desvarios e irresponsabilidades que estão na origem da derrocada que se está a abater sobre o nosso país.
 
Posto isto, vamos então ao “leitmotiv” deste “post”:
 
Se consultarmos o mais completo e atualizado repositório de informação de que dispomos na atualidade – a internet – encontramos dezenas de variantes para a definição de POLITICA.
Para o caso, escolhi esta:
 
Política é a ciência da governação de um Estado ou Nação e também uma arte de negociação para compatibilizar interesses”.
 
Portanto, este autor define que politica é ao mesmo tempo uma Ciência e uma Arte. Definição que a avaliar pelos resultados a que os Politicos(*) cá do nosso burgo conduziram o país, é Ciência que poucos estudaram e arte que raros têm.
 
O termo tem origem no grego politiké, uma derivação de polis, que designa aquilo que é público, ou deveria de ser público e que cá não é, porque a maior parte das vezes mais parece que estamos perante uma “ciência oculta”, tal é o tamanho daquilo que nos escondem e o ínfimo que nos mostram, quando mostram alguma coisa.
 
Qualquer que seja o regime, a politica está sempre associada ao objetivo de conquistar, manter e exercer o poder, ou seja, governar. Este pequeno grande pormenor, “governar”, diz tudo daquilo que se requere de um politico: - Moral, Ética e Talento, ou seja:
 
- Honestidade;
- Liderança;
- Compromisso
- Comprometimento (com os eleitores)
- Caráter
- Transparência;
- Responsabilidade;
- Sentido de justiça;
- Humildade;
- Humanidade;
- Respeito.
 
Ora, com escassas e honrosas exceções, o que infelizmente vemos nos nossos Políticos  é exatamente o contrário, a moral ausentou-se para parte incerta, a ética não se sabe bem o que é e Talento só existe para enganar o Zé com falas mansas e promessas ocas. Apesar disso continuamos a ter uma chusma de políticos, a maior parte medíocres, e continuamos a ver, quase todos os dias, caras novas na politica.
Porquê, então este desconforto para com a maioria dos Políticos? Porque exigimos Super-Homens? Não. Exigimos apenas Políticos em vez de aventureiros. Exigimos que os Políticos vivam para a politica e não que vivam da politica.
 
Ser politico, deveria ser, acima de tudo, assumir um espirito de missão, uma missão nobre, porque quem exerce a politica assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência, como já referi acima. O Politico sabe, ou deveria saber, que não pode subverter os valores da causa publica que jurou cumprir e com os quais se comprometeu e, muito menos deve subverter aqueles com os quais se apresentou aos seus eleitores. O que não é o caso daqueles Políticos que neste momento estão no Governo da Nação que prometeram tudo e mais um par de botas e agora estamos a concluir que estão a fazer exatamente o contrário do que prometeram e juraram, não esqueçamos, juraram cumprir e que até o par de botas com que nos acenaram afinal, estão rotas.
Os nossos Políticos transformaram-se numa espécie de aventureiros, num meio que convive bem com a corrupção e no qual têm muita dificuldade em conjugar direitos com deveres, liberdade com responsabilidade, política com justiça, e ética com valores e com princípios.
 
Mas voltemos à questão de continuarmos a ter uma chusma de “novos” políticos, porque tudo na vida tem uma causa e um efeito, e às vezes só vemos o efeito e esquecemo-nos de analisar a causa. Porque vemos então no dia a dia cada vez mais políticos que em vez de viverem para a politica se servem da politica para viver? Simplesmente porque o Regime deixou, intencionalmente ou não, que os políticos com Talento que querem viver para a politica, enquanto causa nobre ao serviço do Povo, se transformassem em pedintes com remunerações quase miseráveis e simbólicas, enquanto que aos “outros”, os medíocres e oportunistas, que mandaram a ética e a moral às ortigas, deixou o campo aberto à corrupção e ao enriquecimento ilícito, permitindo-lhes que vivam, e à grande, da politica. Basta atentarmos um pouco nas “ligações perigosas” de alguns dos nossos políticos, nas ideias que defenderam ontem e nas que defendem hoje, nos “grupos de pressão” que representam, para percebermos quem são uns e quem são outros e porque cada vez temos menos dos primeiros e mais dos segundos. Intencional? Que responda quem souber, mas se não é, parece.
A ética na política não pode ser diferente da ética na vida empresarial e na vida pessoal em sociedade, mas a remuneração dos políticos também não pode ser miserabilista (ou como agora é moda dizer-se “pro bono” (para bem do Povo = gratuito) para que o poder instituído do Estado de Direito possa exigir como contrapartida o tal Talento e exercer com mão de ferro a Justiça desse mesmo Estado para com os políticos que apenas pretendem viver da politica, da qual se apropriam, fazendo-a refém de uns tantos interesses, poderosos e bem organizados.
 
Como sair então deste ciclo vicioso em que o Regime se deixou enredar, se são os próprios Políticos que ditam as Leis? Se são os que se “apropriaram” da politica e “aprisionaram” a livre decisão que estão em maioria e em maioria votam as Leis que eles próprios fazem? Não sei responder, nem tenho o dom da prestidigitação para adivinhar, mas há uma coisa que sei, é que ou este estado de coisas se moraliza, ou vai acabar mal e mais rápido do que poderemos imaginar. Enquanto o Regime não quiser ter maioritariamente políticos com Talento (é disso que se trata, de o Regime - Republicano e Democrático - querer ou não querer ter políticos dignos do nome) terá políticos medíocres e corruptos. Os competentes não vão para a politica porque são mal pagos, e quando se afoitam são caluniados, vilipendiados e “abafados”. Quem sobra em maioria? Os incompetentes e os corruptos. Assim o Regime está em causa.
 
Não tenho competências para identificar soluções fáceis, mas algumas causas eu identifico, e deixo aqui uma como origem destes males que nos assolam. Todos os (grandes) políticos que fizeram história e que nela deixaram o nome e a “marca”, exerceram uma profissão antes de se dedicarem à politica, e voltaram a ela depois de cumprirem esse dever cívico, algumas vezes nem remunerado (o tal do “pro bono”), coisa que, com o passar dos anos, foi caindo em desuso.
Atualmente, uma vez na politica, politico para sempre, é como se fosse uma profissão, “profissão: politico”. Salvo raras e honrosas exceções, o que temos são “jotinhas” que tiveram como profissão “colador de cartazes”, organizar e “botar faladura” em comícios, ou seja, fizeram uma carreira de conspiração dentro dos partidos, e da vida real do país, sabem zero. Como podem com esta impreparação defender os interesses de quem representam? São facilmente arregimentados pelos tais “grupos de pressão” e “ligações perigosas” para servirem os seus interesses e para nós o Povo, ficam as promessas, apenas promessas.
 
(*) - O “p” maiúsculo significa que englobo no termo homens e mulheres)