Boas Vindas

Se é, está, ou foi lixado, seja bem vindo a um blogue P´ralixados. Se não é, não está ou não foi lixado, seja bem vindo na mesma porque, pelo andar da carruagem, mais cedo do que tarde acabará também por se sentir lixado. Um abraço.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Exposição de “Piteira” em Almada

 

A Alexandra (Piteira) vai participar com desenhos a carvão, numa Exposição de Artes promovida pela Câmara Municipal de Almada, subordinada ao tema "Once upon a time".
 
A exposição estará disponível ao público entre os dias 9 e 28 de Novembro no Ponto de Encontro em Cacilhas (Casa Municipal da Juventude).
 
Consulte nos links abaixo o endereço e restantes coordenadas:
 
 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Onde anda a Oposição?

(Desesperando.... - Imagem da Internet)
 
Olhando o vazio de ideias, e sobretudo de ações, que vai à nossa volta para contrapor às falácias do “não há alternativa” e “ou nós ou o caos” que este Governo de fanáticos nos impinge todos os dias (ainda há pouco tivemos um ilusionista a falar da "magia" da reforma do Estado), é imperioso concluir que não só o Governo nos roubou a esperança, como a Oposição no la aprisionou, porque ela própria anda perdida ou ausentou-se para parte incerta.

Por onde anda a Oposição? Será que estamos condenados a um péssimo Governo e a uma oposição igual?
 
 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os Coveiros da Europa

 
(Clique na Imagem para a ampliar)
 
Costuma dizer-se  que “palavras leva-as o vento". Não será bem assim, mas na verdade não há nada como números para sustentar a realidade dos factos. E então quando esses números são trasnformados em imagens, valem por mil palavras.
 A imagem acima demonstra bem o mal que esta gente que tem estado aos comandos da Europa tem feito ao nosso “velho continente”.
 
O gráfico representa e compara a procura interna desde o final de 2007 (4º Trimestre de 2007=100), nos Estados Unidos, no Japão e na Europa do EURO, e como facilmente se conclui, desde o 4º Trimestre de 2010 que a Europa não para de se afundar enquanto o Japão e os EUA sempre a subirem desde a crise financeira de 2008.
 
Se tivermos em conta que a procura interna é a despesa (consumo + investimento) realizada pelos cidadão residente em relação à produção, fácil é de entender o estado de penúria a que a Europa foi conduzida. O seu poder de compra baixou 5 pontos em 5 anos, e atenção porque isto é a média, inclui portanto os “países ricos” e os “países pobres”, donde se conclui que os “países pobres" estarão mesmo na mendicidade. É certo que com a crise financeira de 2008 também os EUA e o Japão caíram, mas logo recuperaram, enquanto que os europeus soçobraram em 2010 com a crise das dividas porque foram incompetentes a lidar com as intervenções nos "PIIGS" (Portugal, Italy, Ireland, Grece, Spain).
 
Em 2011, a propósito de uma afirmação, pouco digna, da Srª. Merkel sobre Portugal, escrevi o seguinte comentário na blogosfera:
 
“Como foi possível que a Europa tenha chegado a este estado pela via da autodestruição?
Quando é que os autistas que governam em quase todos os países europeus, incluindo esta senhora, percebem de uma vez por todas que isto é um caso sério de sobrevivência? Já lá vão 2 anos. Primeiro colocaram as culpas nos "desvarios" dos “gastadores” países do Sul e meteram a cabeça na areia. Depois na "crise" das dívidas e continuaram com a cabeça na areia. Agora na "crise mundial" e continuam no mesmo tom. As Instituições Europeias que deveriam funcionar, estão sob o jugo da Alemanha. Os dirigentes estão perdidos, sem norte e sem rumo. QUEM NOS ACODE ? Não é certamente esta senhora !!! Isto merece uma indignação geral e uma resposta à altura, por parte dos homens bons e sensatos deste “velho continente”, porque ainda os há felizmente.”
 
Passaram dois anos sobre este "vaticínio" e as mudanças de rumo, se as houve, foram para pior. A Europa está na fossa e não merecia ter tido coveiros, em vez de estadistas, a governá-la. Venham outros, e melhores, que já é tempo de pararem com o autismo.
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

15 mil milhões "torrados" em 2 anos

 
("To Blow Money"  = Torrar dinheiro)
 
Este Governo do PSD/CDS intitula-se “reformista”.
Mas reformista de quê se ao fim de dois anos e meio que leva de “reformismos” as únicas reformas que fez foram:
 
- Aumento (brutal) dos impostos sobre o trabalho (mais de 30% só em 2013);
 
- Aumento do desemprego (11% em 2010, 17,8% em 2013);
 
- Aumento da emigração (não há números oficiais);
 
- Agravamento do deficit (4,2% em 2011, 5,8% em 2012 e 5,8% em 2013 (P));
 
- Aumento da dívida pública em mais de 50% sobre o seu valor de 2010;

- Queda dramática do PIB (173 mil milhões em 2010, 160 mil milhões em 2013 (P))
 
- Aumento da pobreza;
 
- Venda das empresas do estado ao desbarato
 
- Ruina do investimento (publico e privado)
 
- Equilíbrio da Balança de Pagamentos (um ponto positivo).
 
Ou seja, até agora a reforma que fez foi o confisco aos cidadãos em geral impondo-lhe austeridade sobre austeridade e que conduziu ao empobrecimento coletivo e à destruição do aparelho produtivo e do tecido económico.
 
Foram 15 mil milhões de Euros em austeridade sobre o Povo só em 2 anos, 2012 e 2013, que foram “torrados” sem que ninguém saiba explicar onde nem para quê, e para 2014 estão previstos, no OE, mais 3,9 mil milhões de austeridade, e já hoje houve um "aviso à navegação" para mais do mesmo em 2015. Sobre os mesmos do costume, claro.
 
Será mesmo este o bom caminho de que fala o Dr. Pedro Passos Coelho?
 
 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Para Pior Já (Não) Basta Assim

 
(Imagem da Internet)
 
Desiluda-se quem pensa que, ao fim de dois anos e meio de martírio infligido ao seu Povo por um governo de alucinados, já passámos por todas as provações. Não passámos, e o pior mesmo, é que o pior ainda vem a caminho.
 
Quer venha a ser pela desastrosa necessidade de termos que sair do Euro, quer venha a ser pela imperiosa obrigação de nele continuarmos, avizinham-se, como epílogo deste pesadelo que nos tocou em sorte, tempos trágicos, e não é preciso ser profeta para poder chegar a esta conclusão, senão vejamos:
 
- O Governo do PSD/CDS, obreiro de um (brutal) agravamento do estado de penúria em que já estava o país quando subiu ao poder em 2011, e que, ao contrário do que apregoou nas eleições, se limitou, em dois anos e meio que leva de governação (mais de meio mandato) a gerir um desastre fazendo orçamentos irrealistas, e depois retificativos que nada retificaram, não acertou uma única previsão de todas as que fez e agravou todos os indicadores económicos e sociais da penúria de 2011, mês após mês até agora. E agora, para rematar com chave de ouro, construiu o Orçamento do Estado (OE) para 2014 tendo por único objetivo generalizar o confronto na sociedade portuguesa.
 
Desde logo o seu próprio confronto com o Tribunal Constitucional (TC) que não vai deixar passar grande parte das medidas previstas no OE, e o Governo sabe-o e está consciente disso. O que é pretendido é outra coisa bem mais sofisticada que o chumbo do TC, pretende-se o confronto entre o Setor Público e o Setor Privado, dividindo para daí tirar dividendos em favor dos que na sombra manobram os cordelinhos destas marionetas, aliás tal como já o fez com o conflito intergeracional que instalou e está agora a fazer com as diferenças  salariais colocando os de menores salários contra os que possuem salários maiores (caso do comunicado de hoje do MF).
 
Com o chumbo certo do TC, pode o Governo argumentar, como já fez com a TSU, que até queriam cortar na despesa do Estado, mas os malandros dos Juízes do TC são reacionários e constituem uma “força de bloqueio” (este termo foi usado esta semana pelo representante da Comissão Europeia em Portugal, num relatório que enviou para Bruxelas). Fica assim o caminho aberto para a medida alternativa mais fácil que, ilusoriamente, o Governo acha que lhes garante dinheiro em caixa: - Novo, brutal e generalizado aumento de impostos.
 
Este cenário é o que temos de mais certo e trará com ele uma tragédia, da qual enumero alguns dos constrangimentos com que seremos confrontados e as suas consequências:
 
- Já não haverá mais anéis para vender porque já foram todos ao desbarato, faltarão talvez os transportes e a água (até a água vai);
 
- Já não haverá mais receitas extraordinárias para inventar a não ser que comecem a vender os cidadãos como escravos;
 
- Com mais um aumento generalizado de impostos, o consumo interno retrai-se ainda mais, o investimento cessa, e o desemprego agrava-se;
 
- Todos os indicadores económicos e sociais se degradam ainda mais e
 
- A Economia colapsa.
 
- Instalado o caos, haverá depois que encontrar bodes expiatórios para lhes assacar as culpas, e enquanto o Povo se digladia no jogo do passa culpas, os meios de produção mudam de mãos, o Povo fica ainda mais miserável e completamente vulnerável para aceitar todas as migalhas que, por compaixão, lhe sejam atiradas (mais do que uma teoria tem sido esta a pratica do atual Governo)
 
Perante este, bastante provável, cenário o País só terá duas opções:
 
- Entra numa depressão (vêr este post), e a bancarrota é o caminho certo, ou;
 
- Pede um 2º resgate. Tenha ele a forma jurídica e politica que lhe queiram dar, tratar-se à de pedir mais dinheiro, a juros de usura, aos agiotas que já nos sugaram.
 
Em qualquer dos casos o Povo vai ficar sujeito a uma austeridade perpétua, a não ser que o país encare seriamente uma saída controlada do Euro, também ela dramática, mas, ainda assim, com consequências limitadas no tempo. Abordarei este tema num próximo post.
 
Perguntarão alguns, perante esta apocalíptica antevisão: “mas que diabo de elementos tem este aprendiz de feiticeiro que nós não temos para o levar a equacionar este cenário dantesco?” A resposta é simples e está no OE de 2014, já acima referido, que pode ser consultado neste link (“Relatório do OE2014”) e que resumo assim: - A via dos impostos está exaurida, a via dos cortes sobre cortes dará mais recessão sobre recessão e as alternativas, que é ir ao bolso daqueles que lucraram (lucraram!, será o termo correto? ) milhares de milhões e continuam a lucrar, o Governo nem as aborda, são intocáveis. Para pior já não basta assim, tem que ficar mais pior ainda para que aquele que pode "dar a volta a isto", o Povo, entenda que não pode assistir impávido a uma execução coletiva.
 
 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Certeza de Uma Austeridade Perpétua

 
(Imagem da Internet)
 
Acabámos de ouvir há momentos o Governo do PSD/CDS, pela boca da Equipa das Finanças, anunciar as linhas gerais do Orçamento de Estado para 2014. É claramente um orçamento do faz de conta.
 
A par de os grandes números não baterem certo, a certeza que fica é a de uma austeridade perpétua, basta fazer umas contas simples:
 
- O deficit Orçamental em 2012 foi de 6,4%, com medidas extraordinárias (não repetíveis no ano seguinte);
 
- O volume dos cortes em 2012 foi cerca de 6 mil milhões de Euros;
 
- O deficit Orçamental em 2013 será no melhor dos cenários de 5,8%, com medidas extraordinárias;
 
- O volume dos cortes em 2013 será cerca de 5,5 mil milhões de Euros;
 
- O orçamento para 2014 prevê um deficit de 4%;
 
- O volume dos cortes previstos para 2014 é de cerca de 3,8 mil milhões de euros com medidas extraordinárias (p, ex. a CES).
 
A conta é simples: - Se 5,5 mil milhões (parte deles não repetível) fazem baixar o defict 0,6%, como é que 3,8 mil milhões vão fazer baixar o defict 1,8%? Isto pura e simplesmente é impossível, mesmo que a vaca tussa.
 
Entretanto com toda esta catadupa de cortes (sempre sobre os mesmos) o Governo até se esqueceu do “Novo ciclo”, da Retoma, do Crescimento, da Economia, do Emprego. Alguém ouviu uma só palavra sobre estas “bandeiras” recentemente lançadas pelo Governo? Não. O objetivo é pura e simplesmente baixar o deficit custe o que custar, mesmo não o baixando e custando muito.
 
Uma nota final à “palestra” da Srª Ministra. Dizia ela que ou é “isto” ou a bancarrota.
Pergunto: Afinal de que nos valeram dois anos e meio de sacrifícios de toda a espécie, que reduziram o país social e económico a cinzas, se estamos na mesma à beira da bancarrota como em 2011? Haja um mínimo de respeito pela nossa inteligência. E, já agora, que Deus lhes dê juízo a eles.

Atualização de 16-10-2013 - Retificado o valor dos "cortes" para 2014. Por lapso mencionei 4,8mm em vez de 3,8mm, o que ainda piora a questão.
 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Grande Embuste II - A crise foi gerada pelo Governo PS de Sócrates


(Dados do Eurostat, de 03-10-2013)
- Clique na imagem para ampliar -
 
Uma das grandes falácias (ato de enganar com má intenção) do Governo do PSD/CDS em funções, tem sido o constante débito, alto e bom som, de que a crise que se vive em Portugal é da responsabilidade do Governo Socialista de José Sócrates.
 
Já em  2009 e 2010 quando Sócrates gritava aos 4 ventos que a crise em Portugal era reversível porque era a vaga avançada da onda de choque de uma crise mundial (financeira e das dívidas) de que Portugal estava a sofrer também as suas consequências por ser um país periférico e, por isso mesmo, mais frágil, mimaram-no de "Pinóquio" e apearam-no do governo rotulando-o de todos os epítetos dignos dos  vigaristas e oportunistas que "mamaram" na teta do BPN, e/ou estiveram ligados à sua criminosa gestão.
 
Acontece, custa a ouvir e mais a admitir a alguns mas é assim mesmo, acontece que a realidade não se compadece com gritarias e falácias porque os números, contra os quais as arruaças podem arremeter mas não derrubam, vêm agora demonstrar que estávamos perante um monumental embuste montado por todos os partidos da então oposição – PSD, CDS, PCP, BE -, com a lamentável aquiescência por omissão de alguma ala do PS, e com a conivência do senhor Presidente da República, que várias vezes falou na “crise nacional” omitindo intencionalmente que ela era mundial.
 
Para que eventualmente não surjam dúvidas sobre a valia dos números referidos e aqui apresentados, eles são divulgados no site do Eurostat (Instituição que produz as estatísticas da União Europeia) e podem ser verificados aqui (Eurostat).
 
Assim, conforme quadro simplificado na imagem que encabeça este post (retirei os países sem relevância e dei alguma cor ao Excel), podem os mais céticos e os mais acérrimos defensores da teoria do Governo, constatar, sem margem para contestar, o seguinte:
 
1) - 2008 - ano da Grande Crise Mundial, primeiro financeira e depois das dívidas soberanas - os EUA (onde teve a sua origem - ver cronologia da crise aqui -) e Japão tremem e na Europa alguns países já “abanam”. A variação, em %,  do PIB médio Europeu dá um trambolhão de 3,00 para 0,4 o que indicia um crescimento quase nulo de toda a Europa;
 
2) - 2009 - todos os países, sem exceção, sofrem o impacto dessa crise com grandes quedas dos seus PIB, mas Portugal é dos países que melhor resistem, sendo dos que menos cai, ficando melhor que a média europeia;
 
3) - 2010 - ainda há muitos países em sérias dificuldades (muito abaixo da média europeia) mas Portugal cresce, sai do vermelho, e está já na média;
 
4) - 2011 – toda a oposição derruba o governo do PS, Portugal é assim forçado a pedir ajuda externa, o PSD e CDS são eleitos para governar, e o desastre é o que os números refletem, pior só a Grécia;
 
5) - Nos anos completos de governos Socialistas (anos a rosa) Portugal situou-se sempre próximo da média da Europa e um ano (2009) mesmo acima;
 
6) - Nos anos de governos PSD (anos a laranja (*)) Portugal situou-se sempre abaixo da média europeia  e em alguns anos mesmo muito abaixo.
 
     São factos sustentados em números. Tudo o resto é ruído para distrair quem se deixa distrair ou quer mesmo ser distraído, para já não dizer para quem é pago para distrair os outros.
 
Nota do Eurostat sobre os dados:
O produto interno bruto (PIB) é uma medida da atividade econômica, definido como o valor de todos os bens e serviços produzidos, menos o valor de quaisquer bens ou serviços utilizados na sua criação. O cálculo da taxa de crescimento anual do volume do PIB é destinado a permitir comparações da dinâmica do desenvolvimento econômico, tanto ao longo do tempo e entre as economias de diferentes tamanhos. Para medir a taxa de crescimento do PIB em termos de volumes, o PIB a preços correntes são valorizados nos preços do ano anterior e as variações de volume, são calculadas sobre o nível de um ano de referência, o que é chamado de séries encadeadas . Assim, os movimentos de preços não vai inflacionar a taxa de crescimento.

(*) - 2005 e 2011 foram parciais, mas foram da responsabilidade do PSD mais de metade do ano.
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Já só faltam as câmaras de gás

 
- Idosos –
(O seu extermínio é a aposta dos governos neoliberais por essa Europa fora)
 
Os idosos estão a ser transformados nos novos judeus da Europa.  Os Governos neoliberais dos Estados europeus, com o de Portugal à cabeça, estão a tirar-lhe tudo e a transformá-los em “seres humanos descartáveis”.
Só falta mesmo recuperar as câmaras de gás da Alemanha de Hitler e passar à sua exterminação em massa.
 
Nada escapa à voracidade destes idiotas sem sentimentos que nos governam, nem os velhos. No caso concreto de Portugal, este  assalto aos idosos a que estamos as assistir – cortes atabalhoados, dia sim dia não, em tudo o que são pensões, reformas e apoios à 3ª idade e agora até já nem as viúvas e os órfãos escapam - desonra os seus mandantes, é vil e indigno de quem o executa e envergonha quem assiste impávido e sereno ao castigo daqueles que já nada podem fazer por si próprios.
 
Para quando a inequívoca expressão de revolta, do Povo Europeu em geral, perante a tamanha selvajaria a que estão a ser submetidos os seus anciãos?
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Malhar em Ferro Frio

 
(Imagem da Internet)
 
Vai para seis décadas e meia que nasci, cresci e fiz a escola primária numa aldeia beirã da Serra do Açor, onde a beleza da paisagem contrastava com a rudeza do clima e com as dificuldades para ali se viver, melhor, se sobreviver, porque era de sobrevivência pura que se tratava.
 
Naqueles tempos e por aquelas paragens, isoladas do mundo, o tempo passava devagar e o difícil mesmo, para uma criança em idade pré-escolar, era encontrar ocupação para as horas que sobravam da guarda do rebanho de cabras e ovelhas.
 
O meu padrinho “Zé Capa” tinha uma forja, a atirar para o artesanal, na qual eu muitas vezes encontrava ocupação para os tempos livres e me divertia alheio aos perigos que me rodeavam (fogo, ferro incandescente, chispas de metal que saltavam das ferramentas em reparação, o barroco sem proteção ali à beira da porta, etc.).
 
Uma das minhas “atividades” preferidas na forja era agarrar numa qualquer ferramenta que estava para reparar (uma enxada, um sacho, picareta, roçadoira, machado, etc.) e colocá-la na “bigorna baixa”, pegar um martelo e martelar esse utensílio com quanta força tinha. Pelo menos fazia concorrência ao meu padrinho na produção de decibéis.
Lá vinha então ele com o seu alerta tradicional “ó pá, estás a malhar em ferro frio? Isso não serve para nada e ainda te aleijas”.
Mais tarde viria a saber que a expressão “malhar em ferro frio” significa “desperdício de esforço”.
 
É exatamente isso, desperdício de esforço, que a blogosfera não situacionista de Portugal, os comentadores e analistas politicos e os próprios politicos, andam a fazer neste país. Nunca houve tantos Blogues e bloguistas com tanta qualidade. Artigos de excelência, alguns dignos de uma primeira página de qualquer jornal de referência num qualquer país, são produzidos e publicados diariamente na Internet. Nunca houve tantos programas de televesião populados por comentadores e politicos de esquerda, de centro e de direita, a comentar o momento politico de cada dia em cima do aconteceimento. Nunca houve tanta informação para "digerir" como na atualidade. Ninguém se pode queixar que "não sabia", mesmo aqueles que ainda estão "perdidos" nas Serras do Açor deste país.
Mas pasme-se, o país (leia-se o Povo) parece estar anestesiado com a catadupa de maldades que o Governo do PSD/CDS lhe tem feito, e já não reage a nada, muito menos aos estímulos proporcionados pelo manancial de argumentos dos blogueiros e dos media em geral. Até parece que o Povo ficou cego surdo e mudo, paralisado pelo medo, ou então talvez prefira mesmo é continuar a ser massacrado como está a ser, por muitos e longos anos, senão mesmo gerações, numa austeridade perpétua, em vez de reagir. O Povo tem sempre razão e neste caso lá terá as suas.
 
Analisemos o exemplo recente das eleições Autárquicas:
 
Os partidos do Governo (PSD+CDS) tiveram no conjunto, concorrendo isolados ou coligados, 27,32% dos votos expressos nas urnas. Esta percentagem representa 1.384.737 de votantes nestes dois partidos. Mas há um pormenor que escapa (propositadamente?) à maioria dos analistas, e que é o seguinte: Em Portugal estão inscritos nos Cadernos Eleitorais  9.497.404 cidadãos com direito a voto. Os 1.384.737 votos obtidos pelos partidos do Governo são 14,58% desses cidadãos com direito a voto no país. (ver gráfico abaixo).
 
Estamos assim a ser governados por dois partidos, PSD e CDS, que estão legitimados por apenas 14,58% da população. Mas parece que o Povo, dentro da sua razão, gosta assim. Valerá apena continuara a “malhar em ferro frio”?

(Clique na imagem para ampliar)