Boas Vindas

Se é, está, ou foi lixado, seja bem vindo a um blogue P´ralixados. Se não é, não está ou não foi lixado, seja bem vindo na mesma porque, pelo andar da carruagem, mais cedo do que tarde acabará também por se sentir lixado. Um abraço.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Retomaremos o mesmo filme daqui a 86 mil milhões


(Imagem da Internet)

Durante 5 duros anos de austeridade os Gregos, servis obedientes e obrigados, fizeram tudo o que os iluminados que abancam nas adamascadas cadeiras de Bruxelas lhe mandaram. Tudo em vão.
Dos cerca de 300 mil milhões dos resgates, apenas menos de 1/3 foi para dinamizar a economia. A grande parte foi para pagar dívida com mais dívida, pagar juros da dívida e recapitalizar os Bancos falidos.
Nas duas últimas semanas, os burocratas Europeus e o Governo da Grécia deram ao mundo o espetáculo a que todos assistimos e os Gregos saíram mais uma vez pela porta pequena. Mais dívida, mais austeridade, mais pobreza. Mais do mesmo.

A dívida Grega atingiu um tal valor que todos os Gregos tinham que trabalhar durante dois anos exclusivamente para a poderem pagar. É impagável.

Mas então, tantos iluminados por essa Europa fora e ainda nenhum percebeu que a situação a que a Grécia, Portugal, Itália, Bélgica…. a Europa chegaram não tem solução na austeridade?
Ainda ninguém percebeu que a Europa está ela própria falida? Está “às aranhas” para conseguir arranjar 7 mil milhões para colocar na Grécia imediatamente senão aquilo vira uma guerra civil num barril de pólvora.
Isto não é “rocket science” nem uma questão de prestidigitação. Não é preciso ser economista com nome na praça, expert em ciência politica ou expert noutra treta qualquer. Basta ter 2 neurónios que funcionem para perceber que a solução não passa por colocar dinheiro num país e depois atrofiar, espartilhar, esmagar esse país. 
É simples, já foi experimentado em vários países, na Europa e fora dela, e deu sempre o mesmo resultado, com a agravante de os países da Europa do Euro não terem instrumentos de gestão cambial para poderem desvalorizar a moeda, nem podem fazer orçamentos expansionistas. Sobretudo os mais pobres, estão espartilhados monetária e financeiramente, enquanto que economicamente são largados à sua sorte que o mesmo é dizer que “estão no mato sem cachorro”.

A dura realidade é que depois de 5 anos de austeridade os Gregos estão cada vez mais gregos, mas Portugal não tem motivos para sorrir, porque não está muito melhor, bastará uma rabanada de vento na Grécia para chegar um ciclone a Portugal, tivemos disso um claro exemplo na segunda feira a seguir à votação na Grécia.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

A Diferença Entre a Propaganda e a Realidade


(Evolução do rendimento auferido, versus IRS suportado, durante os 5 últimos anos, por uma família (concreta) da classe média alta em Portugal)
- Clique na imagem para ampliar -
- Gráfico by "Pralixados" -

O conceito de classe média (inicialmente designada por nova burguesia), é um conceito capitalista que resultou da consolidação do capitalismo moderno (em vias de implosão, penso eu). 
Surgiu, quase que como um fenómeno da industrialização que motivou a estratificação da sociedade em camadas, camadas se passaram a apelidar de  “Classes Sociais”.
É hoje universalmente reconhecido e aceite que o motor que faz mover qualquer país é a classe média. É o comportamento dela, quer em termos de consumo, quer de poupança, quer de empreendedorismo, quer ainda de força especializada de trabalho, que determina a pujança ou o declínio de um país na geração seguinte. É por isso, e apenas por isso, que, em regra, os Governos dos Estados procuram estimulá-la. 

Estados onde não existe classe média relevante - estados onde só prevalecem ricos, usualmente muito ricos,  e pobres, usualmente muito pobres – são estados paupérrimos e em constantes convulsões socias. Não é preciso fazer grande esforço de análise para enumerarmos, num ápice, algumas dezenas desses Estados pelo Mundo fora.
Paradoxalmente, em Portugal, o Governo em funções não tem feito outra coisa, desde que assumiu o poder, senão atacar e destruir a classe média em geral.
Em Portugal não existem estatísticas conhecidas e credíveis, como existem, por exemplo, no Brasil e nos EUA (* ver nota), que definam o intervalo de rendimentos das famílias que se consideram classe média, e dentro desta, o que é classe média média, classe média alta e classe média baixa. Não há assim números disponíveis que nos permitam “medir” e comparar o quanto destruída foi a classe média em Portugal nestes quatro últimos anos.
Não existem números, mas existem dados concretos de famílias concretas. Umas que viram drasticamente erodida a sua qualidade e nível de vida, outras que se confrontam com a impossibilidade de solver os compromissos assumidos em função dos rendimentos de que dispunham quando os assumiram, e outras ainda que pura e simplesmente engrossaram as fileiras dos pobres e alguns da indigência.
O exemplo real expresso no gráfico acima é o de uma família, classe média alta, constituída por 6 elementos que vivem em casa própria, comprada a crédito, e que possui como único rendimento o dos salários do casal. O casal teve a sorte de nenhum ter sido atingido pelo flagelo do desemprego, mas viram os seus salários reais fortemente reduzidos e o IRS drasticamente aumentado. São ambos quadros superiores de empresas privadas de referência, ela  numa multinacional e ele numa nacional. Os 3 filhos estudam no ensino público, dois na Universidade e um no Secundário. Há também uma avó.
O gráfico, construído com base em documentos oficiais (valores das notas de liquidação do IRS - portanto já expurgados dos encargos com a Segurança Social) que me foram facultados pela família, é elucidativo do terramoto financeiro que arrasou a classe média, em especial a classe média alta à qual o exemplo pertence. No caso concreto desta família, ela perdeu em 3 anos nada mais nada menos do que 42% do rendimento líquido (sem levar em linha de conta o aumento brutal de outros impostos não expressos no gráfico - IMI, IVA, IUC, etc.). Os rendimentos diminuíram 20% enquanto que o IRS aumentou 24%
Dirão alguns, com lógica mas sem razão, que mesmo assim, no meio de toda a devastação que nos assola por todo o lado, esta família se pode dar por muito feliz se comparada com muitos milhares que sobrevivem no limiar da pobreza e mesmo na pobreza absoluta. Pois... no entanto, tal como afirmei no início deste “post”,  há um pequeno pormenor que convirá não desprezarmos: - é que a persistir neste caminho o motor do país vai acabar por parar e Portugal voltará a engrossar a lista dos países subdesenvolvidos, como o era nos anos 40 e 50, anos 50 de cujos finais ainda me lembro.
Este drama é impossível de ser entendido por aqueles que antes da crise já eram ricos,  são ricos durante a crise, e depois da crise continuarão a sê-lo, alguns ainda mais. Poderá custar muito a entender àqueles que tiveram a infelicidade de cair na dependência de ajudas sociais, de parentes ou de amigos, e não será de certeza entendível por aqueles que vivem já na pobreza porque já "estão no fim da linha social" e pior não ficarão, mas esta é a realidade bem conhecida e melhor entendida por todos quantos ainda vivem da força do seu trabalho, que felizmente ainda somos alguns, e que sentiram e sentem na pele a austeridade cega imposta por uma minoria de ideólogos e tecnocratas fanáticos (veja-se o que estão a fazer com a Grécia).

A “outra realidade”, a propaganda, aquela que diariamente nos vendem pelos jornais e pelas televisões, só a compra quem deliberadamente queira e goste de ser enganado.
(* Nota) – Nos EUA (não é um bom exemplo, mas é um que tem regras bem definidas), é considerada como pertencente à classe média a família que reúna o conjunto dos seguintes  6 itens:
- Ter casa própria;
- Ter carro próprio;
- Ter uma reforma assegurada (economias, PPR ou outro);
- Ter economias para pagar os estudos superiores dos filhos (lá pagam-se e são a doer);
- Ter um seguro de saúde ou equiparado (cá temos a Segurança Social);
- Ter capacidade financeira para assegurar férias anuais à família.
O intervalo de rendimento anual de uma família americana, para conseguir este nível de vida, terá de se situar entre os 38.000 e 120.00 USD, dependendo do Estado e da cidade onde resida.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Liberalizar para... Enganar.


(Imagem da Internet)

Ouvi hoje o Ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva (que até nem é dos piores ministros deste Governo de salteadores) apregoar na Assembleia da República, no debate sobre o Estado da Nação, que “…o grande objetivo deste Governo com a liberalização do mercado da eletricidade foi proteger os consumidores…. blá blá blá”.

Como senti na carteira o enorme aumento da eletricidade - e já não incluo neste aumento o IVA sobre o valor da fatura que passou de 13% para 23% - dei-me ao trabalho de comparar a evolução dos preços de apenas um ano. Comparei 2014 com 2015, e os resultados desmentem categoricamente o senhor ministro, senão vejamos:

- Potencia contratada 13,8 KVA (Baixa Tensão);
- Tarifa Normal (monohorária);
- O custo fixo dia aumentou 5,75% (passou de 0,6821€ para 0,7213€);
- O custo do KW aumentou 3,17% (passou de 0,1543€ para 0,1592€).

Se isto de permitir às elétricas aumentarem o preço da eletricidade cinco vezes mais que o aumento da inflação é proteger os consumidores, prefiro não ser protegido, e voltar ao regime regulado.

E assim se vai enganando o pagode que não faz contas e acredita na bondade das aldrabices que o Governo vai contando.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

A Grécia frente a uma Europa punitiva


(Imagem da Internet)

Nãos sei se vai ou não vai haver referendo na Grécia no domingo.

Se houver, também não sei se vai vencer o sim, ou vai vencer o não à continuação da submissão da Grécia a uma austeridade punitiva imposta pela "catastrioka" da Europa. (se o meu voto contasse seria NÃO).

Mas, quer haja referendo, quer não haja, quer ganhe o sim ou o não, há uma coisa que os gregos (o Povo Grego) já ganharam:

DIGNIDADE.

Dignidade por não cederem à chantagem dos burocratas, dos contabilistas e mangas de alpaca incompetentes que se apoderaram do Governo da União;

Dignidade por quererem decidir por eles o que a eles respeita;

Dignidade por, perante um cataclismo financeiro e social à vista, o Governo ter decidido pegar o boi pelos cornos, em vez de andar a fazer faenas para enganar o Povo como tem feito o Governo de Portugal;

Dignidade por recordarem aos restantes compatriotas Europeus o cognome, que lhes cabe por direito e por prática, de berço da democracia.

Dignidade por quererem ser livres e quererem livrar-se de uma Europa punitiva, que veste roupagem de solidária e democrática, mas que mais não é do que um bando de tresloucados agiotas.

Força Grécia, atirem os vossos Migueis de Vasconcelos pela janela, já que nós por cá continuamos fieis atentos, venerandos e servidores a um Governo que até a esperança já nos conseguiu roubar e continua na senda desse desígnio até que não reste uma pedra do edifício económico, social e solidário que já foi Portugal.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Germaropa, ou Euromanha?


(Germaropa ou Euromanha? - Imagem da Internet)

A Europa é uma União Económica e Monetária (pressupostamente) democrática, de países (pressupostamente) democráticos.

Está organizada à volta de 4 poderes formais de governação (government):

- Parlamento Europeu (único órgão eleito pelos cidadãos europeus), composto por deputados que, entre si, elegem um presidente;
- O Conselho da União que representa os governos nacionais e tem presidência rotativa entre os Estados, sendo o chefe de governo do país em exercício o seu presidente;
- O Conselho Europeu que também representa os governos nacionais e é composto por uma miríade de burocratas (principescamente pagos) e que também tem um presidente nomeado;
- A Comissão Europeia, órgão executivo por excelência que é composto por comissários (ministros) designados pelos países membros e que também tem um presidente nomeado.
- Além destes poderes formais, existem ainda os formados “ao lado”, como o Eurogrupo, composto pelos ministros das finanças dos países do Euro;  O Ecofin, composto pelos ministros das finanças de todos os estados membros; O Tribunal de Justiça da UE; O Tribunal de Contas Europeu; O Banco Central Europeu e umas dezenas de Comités, disto e daquilo.

Todos estes órgãos falam e falam, dizem-se e contradizem-se, mas nenhum deles tem a última palavra nas decisões que esta Europa (pressupostamente) democrática toma.
Na prática, a última palavra é do ministro Wolfgang Schauble (ministro alemão das finanças) ao qual a chanceler Merkel obedece caninamente e os restantes “poderes” "abanam o rabo” (relembremos a imagem do ex- ministro português Vitor Gaspar).

Tem sido neste caldo (nada democrático e muito menos transparente) em que a União Europeia se transformou que são tomadas as decisões determinantes do destino de milhões de cidadãos, como é agora o caso de “dar um pontapé no rabo dos Gregos” depois de os terem esmifrado até ao tutano.

E para os que acham, por convicção, por ideologia, ou apenas porque acham, que isto não é assim, vejamos só o dilema em que se encontra o Governo Grego: - Está dependente de um empréstimo da “Troika” para pagar à “Troika”.

Mas que EUROPA é esta? Mais parece que integramos já um IV Rich alemão do que uma União do que quer que seja.

Em Tempo: - A propósito deste assunto, já depois de ter escrito este "post", li no Blogue "Um Jeito Manso" esta pérola de texto e de abordagem que recomendo leiam aqui.



terça-feira, 23 de junho de 2015

Impostos, Taxas e Taxinhas....


(Imagem da Internet)

Hoje deixo aqui o testemunho de mais um caso real sobre impostos, taxas e taxinhas. 
Situações como esta, na maior parte dos casos, passam-nos despercebidas, embora não devessem.

Por razões de economia, tenho os seguros da minha casa separados. Tenho um para o conteúdo (vulgo recheio) e outro para a propriedade (vulgo paredes).

Ao fazer hoje o pagamento do seguro anual da propriedade (só paredes) reparei no seguinte detalhe da composição do valor que a Seguradora me cobrou:
- Prémio do Seguro                                       341,30€
- Imposto do Selo                                           30,73€
- INEM + Fundo de Acidentes de Trabalho          13,33€
- TOTAL                                                       385,36€

Já o facto de ter de pagar, para o Estado, quase 10% do prémio, num imposto obsoleto anacrónico e sem sentido (o do Selo) já é escandaloso.
Mas pagar uma taxa, da qual parte vai para o INEM e parte para o Fundo de Acidentes de Trabalho (nem sei o que isto é), num seguro de paredes de alvenaria, além de roubo, é uma ofensa à inteligência dos segurados.
Num seguro de acidentes esta cobrança ainda poderá fazer algum sentido, mas num seguro de paredes é demasiado ofensivo.

Não sei desde quando é que as seguradoras são obrigadas a seguir esta prática de gamanço, estilo pagas e não bufas (como sucede com a taxa do audiovisual na fatura da luz). Como tive o cuidado de reparar nos detalhes, não sei se já vem de longe como o Constantino, ou se é uma postura recente, mas seja lá o que for é imoral e atentatório da saúde mental dos cidadãos.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Se Lixo Éramos, Lixo Continuamos a Ser


(Imagem da Internet)

- Antes do resgate o “rating” de Portugal era classificado como  lixo pelas agências de rating.
- A coligação anti patriótica PSD/CDS/PCP/BE/PEV mancomunou-se para correr com o PS de Sócrates do Governo e pedirem um resgate, alegadamente porque Portugal estava na Bancarrota (falácia pura. Veja-se a situação em que está a Grécia e a bancarrota ainda não ocorreu);
- O Teixeira, lá se articulou com o Catroga e com o PSD para elaborarem o Memorando do triste Resgate (até tiraram fotos de regozijo) e veio a Troika;
- Recebida a Troika com pompa e circunstância os estarolas informaram-nos que após a aplicação do Memorando viveríamos felizes num Oásis Económico de crescimento, de emprego, de dívida, de PIB etc. e tal;
- A coisa começou a dar para o torto (austeridade gera austeridade – isto é historicamente demonstrável)  os estarolas viraram salteadores, e à pala do Memorando e da Troika, lá foram além da Troika rapinando tudo o que podiam a quem podiam (porque a alguns “não podiam”).
- O mentor dos estarolas, quando percebeu a cagada que tinha feito, deu à sola e os "estarolinhas" ficaram no mato sem cachorro a atirar em tudo o que mexia com a algibeira dos contribuintes.
-Decorreram quase 5 anos e SE LIXO ÉRAMOS, LIXO CONTINUAMOS A SER, mas mais pobres e mais infelizes.

        Mas.... o Governo tem Oposição que é cega.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sócrates - Um Homem Realmente Invulgar


(Imagem da Internet)

DECLARAÇÃO
A minha prisão constituiu uma enorme e cruel injustiça. Seis meses sem acusação. Seis meses sem acesso aos autos. Seis meses de um furiosa campanha mediática de denegrimento e de difamação, permitida, se não dirigida, pelo Ministério Público. Seis meses de imputações falsas, absurdas e, pior – infundamentadas, o que significa que o Ministério Público não as poderia nem deveria fazer, por não estarem sustentadas nem em indícios, nem em factos, nem em provas. Seis meses, enfim, de arbítrio e de abuso. 
Aqui chegados, que cada um assuma as suas responsabilidades. A minha prisão foi uma violência exercida injustamente contra mim, mas foi-o de forma unilateral – foi-me imposta. Esse acto contou sempre com o meu protesto e o meu repúdio; nunca com o meu silêncio e muito menos com o meu assentimento. Agora, o Ministério Público propõe prisão domiciliária com vigilância electrónica, que continua a ser prisão, só que necessita do meu acordo. Nunca, em consciência, poderia dá-lo. 
Por outro lado, não posso ignorar – nem pactuar – com aquilo que, hoje, para mim, está diante dos olhos: a prisão preventiva usada para investigar, para despersonalizar, para quebrar, para calar, para obter sabe-se lá que “confissões”. Também não ignoro – nem pactuo – com a utilização da prisão domiciliária com vigilância electrónica como instrumento de suavização, destinado a corrigir erros de forma a parecer que nunca se cometeram. Estas “meias-libertações” não têm outro objetivo que não seja disfarçar o erro original e o sucessivo falhanço: depois de seis meses de prisão, nem factos, nem provas, nem acusação. 
Meditei longamente nesta decisão, no que ela significa de sacrifício pessoal e, principalmente, no sacrifício que representa para a minha família e para os meus amigos, que têm suportado esta inacreditável situação com uma extraordinária coragem. Todavia, o critério de decisão é simples – ela tem que estar de acordo com o respeito que devo a mim próprio e com o respeito que devo aos cargos públicos que exerci. Nas situações mais difíceis há sempre uma escolha. A minha é esta: digo não.

domingo, 24 de maio de 2015

Caloteiros Sem Saber


(Imagem da Internet)

Somos todos caloteiros sem que o saibamos.

Porquê? Porque o Estado Português, em nosso nome, criou uma astronómica dívida de 226.300.000.000€ (duzentos e vinte e seis mil e trezentos milhões de Euros), que ninguém consegue explicar em concreto aos bolsos de quem foi parar tanto dinheiro.

E saberemos mesmo o que este número  significa? 

- Significa 130,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja toda produção de bens e serviços de Portugal durante 1,3 anos.

- Significa que cada Português vivo, qualquer que seja a sua idade, tem uma dívida de 22.630,00€ que não sabe a quem deve, nem porque deve, mas que deve.

- Significa que só de juros desta dívida o Estado paga por ano  8.000.000.000€ (oito mil milhões de Euros) a quem cá colocou a maçaroca, que alguém gastou, mas ninguém sabe explicar quem nem onde.

- Significa que cada dia que passa cada Português vivo paga 2,19€ de juros dessa dívida que não sabe que deve.

E significa ainda outra coisa mais interessante, é que há apenas 4 anos, quando Sócrates foi derrubado na Assembleia da República pela coligação "Ad hoc" entre o PSD/CDS/PCP/BE/PEV, a dívida do Estado em percentagem do PIB era de 94%. Em 4 anos subiu 36% à média de 9% ao ano.

E ainda há por aí quem esteja convencido que o país está melhor e que esta dívida é pagável. Ignorantes.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Palavras para quê?


(Imagem da Internet)

Alegando que o país estava na bancarrota (facto de que ainda se aguarda demonstração), que vivíamos acima das possibilidades, que éramos uns preguiçosos e uns malandros da pior espécie, o Governo do PSD/CDS valeu-se da presença da “troika” para sustentar a aplicação de uma série de castigos e malfeitorias que, sem dó nem piedade, infligiu ao Povo, alegando que “… no final do período de ajustamento económico estaríamos melhor...”, quando o único objectivo era o empobrecimento dos portugueses através de um saque fiscal, corte de salários e pensões e confisco de bens.

Ao que os dados disponíveis indicam, o conceito de “estar melhor” não é, para o Governo, o mesmo que para o comum dos cidadãos. Parece que é até o seu contrário. Senão vejamos a evolução de alguns indicadores económicos durante os 4 anos de consulado deste Governo (2011 a 2015):
- Clique nas imagens para ampliar -

Evolução da Dívida Pública em percentagem do PIB
 Aumentou 36,2%


Evolução da Taxa de Desemprego 
Aumentou 1,6% (e está a voltar a aumentar)

MAS…. a evolução da taxa de desemprego tem que ser conjugada com os dois gráficos seguintes, porque a população ativa diminuiu:

  
Evolução do número de Pessoas Desempregadas (Oficiais)
Aumentou 49.300


Evolução do número de Pessoas Empregadas
 Diminuiu 303.000 (este número revela a aldrabice que se passa com a estatística do emprego)

Se os Portugueses voltarem a dar a maioria a estes pantomineiros, é porque realmente gostam de conviver com a mentira ou então estarão próximo da demência.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Professores - A Humilhação de Toda uma Classe


(Imagem da Internet)

No final da passada semana a generalidade dos órgãos de comunicação social brindavam-nos com títulos sugestivos como “Mais de 60% dos Professores chumbaram a Português”; ”Professores chumbam nas provas de Português e Física”, etc..
Isto dito e escrito desta forma, além de falacioso e incorreto humilha toda uma classe profissional que, com todas as insuficiências de um país periférico, conseguiu, em duas décadas, colocar Portugal no top five da literacia e do conhecimento na Europa.

Referiam-se os senhores articulistas de tais dislates aos resultados das provas específicas inventadas pelo sinistro ministro Crato do famigerado Governo de Passo & Portas, provas que abrangeram os Professores contratados com menos de cinco anos de docência, num total de pouco mais de 1.300. Ora partir daqui para a generalização, visa tão só e apenas a humilhação, aos olhos da opinião pública e dos alunos, de toda uma classe de milhares de professores.

O que me levou a abordar aqui este assunto foi o facto de, além de não ter ouvido ninguém (posso andar distraído) refutar a falácia e os objetivos obscuros destas notícias, revoltou-me o silêncio cúmplice do Dr. Mário Nogueira e da sua FENPROF, tão lestos em reações turbulentas e truculentas quando outros governantes, anteriores a estes salteadores de agora, pugnavam pela dignidade da classe, acautelavam os seus empregos e lhe mantinham os salários.

Diz-nos o Sr. Dr. Crato, com aquele ar de padroeiro da pantominice, que “… não são exames de seleção para atirar para o desemprego mais umas centenas de professores, são sim provas de avaliação de desempenho como existem nas empresas privadas…”. Mentira Sr. Ministro, nas empresas privadas há de facto avaliações anuais de desempenho, mas o que há também é uma grande diferença no método e no processo, e sobretudo no objetivo, para as efetuar: -  Além de não serem avaliações exclusivas, as empresas têm processos de formação contínua, formam primeiro e avaliam depois, com o objetivo de valorizar e premiar os seus colaboradores de acordo com o seu desempenho em cada ano. No MEC não se forma, nem se avalia, apenas se exclui.



quinta-feira, 23 de abril de 2015

Onde Para o Dinheiro do Saque?


(Exemplo Real - clique para ampliar)

Enquanto cidadão, revoltado mas cumpridor com os seus deveres de cidadania, acabei de pagar a 1ª prestação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) da casa que habito e que é de minha propriedade.

Também enquanto cidadão, confiscado pelo atual Governo do PSD/CDS, através da sua longa e tenebrosa mão fiscal, mas consciente do saque de que estou a ser alvo, vou fazendo as minhas contas para não me esquecer de não voltar a votar nestes pantomineiros que, sustentados em mentiras, chegaram eleitos ao governo da nação.

E foi assim, a fazer contas, que cheguei à conclusão, conforme gráfico acima, que desde 2011 o meu IMI aumentou a bonita percentagem de 145% (mais do que duplicou em 3 anos (2011 a 2014) passando de 257,95€ para 631,83€ (e parece que não vai ficar por aqui), enquanto que o meu salário diminui neste mesmo período a bonita percentagem de 11% confiscado pela mesma longa mão fiscal do Estado, em IRS e Sobretaxa (7,5% + 3,5%).

Mas porque alguém pode pensar que tenho algum palácio e que por isso só tenho é que pagar e calar, aqui vos deixo as características de tão “luxuoso” imóvel:
- Moradia unifamiliar com dois pisos, na Sobreda (Almada);
- Construída há 35 anos;
- Sem alterações ou benfeitorias, exceto pintura;
- Implantada numa área de 155 m2, sobre um terreno com 338 m2;
- Avaliada em 2012 pelo valor patrimonial de 166.270,00€ (vou ver se o Fisco quer comprar por este valor).

Ora se arcamos com um tamanho e "brutal aumento de impostos" (o termo é do então Ministro Vitor Gaspar) desde 2012 e se todos os indicadores económicos e sociais do país (dívida, deficit, balança comercial, desemprego, pobreza, salários, educação, demografia, assistência social…. etc.), estão piores do que em 2011 onde diabo foi para o dinheiro do saque ao contribuinte que somado com os 70.000.000.000,00€ da Troika davam para comprar outro país?

Os senhores “justiceiros” do MP, PJ, DCIAP e PGR não quererão investigar este enigma a sério em vez de andarem a perder tempo e a gastar o nosso dinheiro a tentarem "entalar" o Engº Sócrates com empréstimos de 50.000,00€?



terça-feira, 21 de abril de 2015

Michel Temer arrisca-se...


(Michel Temer - Vice Presidente da República do Brasil)

Michel Temer, Vice Presidente do Brasil, está em Portugal, desde domingo, em visita oficial.
Ontem numa conferência de imprensa distribuiu um discurso oficial à imprensa, mas depois falou de improviso, e falou muito bem.
Entre coisas muito acertadas e de bom senso que disse, em determinado passo do improviso referiu que tem tido intervenções pessoais junto de empresas brasileiras para que façam negócios com empresas portuguesas.
E fez muito bem, digo eu, porque é a isso que se chama diplomacia económica em defesa dos superiores interesses de qualquer país.
Bom… qualquer país não é bem assim, parece que em Portugal, quando o PS está no Governo, é crime.

Faço esta dedução de pura lógica porque, a avaliar pelo que a Justiça portuguesa tem feito constar no CM, o seu órgão oficial, José Sócrates foi detido, pela dupla de justiceiros Rosário/Alexandre, e está a "apodrecer" na masmorra vai para 6 meses, acusado, entre outros improvados factos, exatamente de ter promovido negócios de empresas portuguesas no estrangeiro.

Talvez fosse bom o senhor Vice Presidente do Brasil pôr-se ao fresco quanto antes, não vão os ditos justiceiros acusá-lo de "tráfico de influências", emitir um mandato de captura e coloca-lo também em preventiva.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma Prova da Má Fé do Governo


(Imagem do Ministério das Finanças neste link)


(Imagem do Tradingeconimics Portugal neste link)


Qualquer destas duas imagens representa a evolução da Dívida Publica de Portugal. 
A primeira, do Ministério das Finanças, para no ano de 2011. 
A segunda, do Trading Economics, tem os dois anos seguintes até 2014.

Porque será que o Ministério das Fianças não coloca no gráfico 2012, 2013 e 2014? Será porque não tem os dados que ele próprio produz? 
É Óbvio que não é por isso. É para não mostrar a realidade do aumento brutal da dívida durante a legislatura deste Governo do PSD/CDS e enganar intencionalmente os incautos.

Se isto não é má fé, já não sei o que seja má fé.

(Um agradecimento ao Blogue http://www.corporacoes.blogspot.pt/ pela pista que me deu)

De Colossal em Colossal


(Imagem da Internet)

Em 2012 o Governo do PSD/CDS, através do seu “ideólogo económico” Vítor Gaspar, anunciava o tal “enorme aumento de impostos” que consistiu no aumento generalizado de todos os impostos de que se destacou o descomunal  aumento do IRS e a criação de dois novos impostos, a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) e a Sobretaxa de 3,5% sobre os rendimentos do trabalho (Sobretaxa de IRS). Os efeitos deste aumento brutal sentiram-se nos anos seguintes com o Estado a cobrar mais 6 mil milhões de impostos por ano e os cidadãos a entrarem em coma profundo.
Com este confisco sobre os contribuintes, Portugal subiu para o ranking dos 10 países do mundo com a maior carga de impostos tendo em conta o rácio impostos cobrados/retorno de benefícios ao cidadão. Recordemo-nos – é sempre bom não ter memória curta - que este aumento era transitório, até que as medidas do Memorando da Troika começassem a produzir efeito.

Ano após ano o fim do transitório foi sendo adiado e passados 3 anos o mesmo governo, agora pela boca de Maria de Lurdes Albuquerque, veio ontem anunciar novo adiamento, talvez lá para 2019 disse ela, passando-o a tendencialmente definitivo. Mas o que mais me revoltou mesmo, e deveria revoltar todos os cidadãos contribuintes que, como eu, pagam impostos, foi  a forma despudorada como o Governo, pela voz da sua ministra, coloca a questão; Dizia ela da sua douta cátedra na Assembleia da Republica (AR), demonstrando um total desprezo pelos cidadãos atingidos pelo roubo, que a devolução de 25% da sobretaxa (0,875%), já em 2016, representava um esforço orçamental para o Governo de 160 milhões de euros. Esforço? Esforço para o Governo?  Então devolver o que saquearam é um esforço? Esforço foi e é para os saqueados, nós, os contribuintes.

Mas como se a cara de pau com que anuncia “o esforço orçamental” de 160 milhões é de arrepiar, o despudor com que anuncia um corte de 600 milhões nas pensões de reforma, nem qualificativo tem.
Confrangedor foi também o espetáculo a que assistimos, após a sessão plenária da AR, o desfile de todos os partidos da oposição a contarem-nos umas tretas, nas quais claramente não acreditam, para nos entreterem, em vez de promoverem um eficaz levantamento do Povo contra as aldrabices sucessivas com que o Governo nos mima.

A realidade já todos a entendemos, o Governo estava a contar que nos caía em cima com uma dose reforçada de austeridade durante os dois primeiros anos de legislatura e que isso seria o remédio redentor para todos os males que nos tinham atingido. Como o Governo não ouviu as vozes avisadas dos que anteviam a catástrofe e a Europa não ajudou em nadinha, o que sucedeu foi tudo ao contrário do que esperava; Em 4 anos o Governo agravou todos os indicadores económicos, com especial relevância para a dívida que passou de 96% para 132% do PIB (quase 40 mil milhões de aumento), sendo agora os juros de dívida o principal sorvedouro do dinheiro que o país consegue gerar (cerca de 8 mil milhões/ano).

Resulta daqui que do colossal aumento de impostos, passámos para um colossal confisco dos salários e pensões, e por muitas aldrabices que nos tentem impingir, a dura realidade é que ou a dívida é reestruturada ou, com este ou com outro Governo, acabaremos inevitavelmente por cair na miséria generalizada ou na bancarrota, porque a vaca leiteira dos impostos está esgotada. E das duas uma ou o Povo, a avaliar pelas sondagens, ainda não percebeu o que aí vem em termos de Segurança Social, ou somos mesmo um Povo de burros, e então merecemos que o Governo nos trate como tal.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Malvadez? Má Fé? ou as duas?


(Imagem da Internet)

O Primeiro Ministro deste nosso Portugal a pão e água, num dos seus últimos discursos da propaganda “o país está melhor”, brindou-nos com mais um mimo da retórica dos ultras. Disse ele que é preciso diminuir os custos do trabalho reduzindo a taxa de contribuição para a Segurança Social das entidades patronais (TSU).

Para já não questionarmos a legitimidade democrática que a implementação de uma medida destas tem a menos de 6 meses das Eleições Legislativas, devemos questionar, como é que ele consegue conciliar a sua teoria de que a Segurança Social é insustentável, com o retirar-lhe parte das contribuições das entidades patronais. Como é que ele depois pensa pagar as reformas? Ou será que não pensa mesmo pagá-las?.

Não sendo burrice, será malvadez, má fé ou as duas juntas?


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Emprego e Desemprego. Nem de Propósito


(População jovem - os mais flagelados pelo desemprego)
(Imagem do businessinsider.com - clique para ampliar)

Para os mais cépticos quanto ao desemprego real em Portugal, o Jornal Público, na sua edição do dia 7, publicou o texto da CES que pode ser lido clicando neste Link.

Nem de propósito, corrobora tudo o que escrevi nos meus dois "posts" anteriores sobre as aldrabices que diariamente nos impingem sobre a taxa do desemprego.

terça-feira, 7 de abril de 2015

De Volta ao Flagelo do Desemprego


(Imagem do Relatório de Janeiro de 2015 do FMI sobre Portugal)
- clicar na imagem para ampliar -

Estou cansado de ler e de ouvir patetices a comentadores e aldrabices ao Governo, sobre a realidade dura e crua do desemprego em Portugal. 
Ao consultar hoje o site do Instituto Nacional de Estatística (INE) não pude deixar de retomar aqui o tema do “post” anterior: O Flagelo do Desemprego.
Constatei que nas estatísticas referentes a fevereiro, o INE publicou um número ao qual poucos cidadãos dão importância, mas que na realidade, quando comparado com os valores dos meses e anos anteriores tem a maior importância, porque através da sua evolução se poder avaliar a capacidade de criação e de destruição de emprego do país. Refiro-me ao número que expressa a “População Empregada”.

A “População Empregada” representa o número de pessoas que possuem um trabalho remunerado, número que em Portugal, apesar da propaganda do Governo em contraciclo, continua a descer situando-se agora nos 4.399.900 indivíduos. Ou seja, depois de em 2008 termos atingido os 5.116.600 cidadãos empregados, e em 2011 esse número ter descido para os 4.740.100, voltámos agora a valores da década de 1980, quando em 1983 esse número era de 4.352.500. Recuámos 32 anos.

O número de 2015, se comparado com o de 2011, significa tão só isto: - em 4 anos de austeridade pela austeridade, os nossos governantes, com as suas politicas do “ir além da Troika” conseguiram destruir 340.200 postos de trabalho líquidos (diferença entre os que criaram e os que destruíram). É obra, embora uma obra de muito má qualidade.

Mas a grande questão que este número coloca, não é apenas a de um número mau, nem a do diferencial dele para a população ativa representar desemprego. A grande questão são as consequências que dele resultaram, estão a resultar e irão continuar a resultar durante décadas, tais como:
- Desastre social (não havendo empregos grassa a pobreza, a miséria e o desespero);
- Baixa significativa das receitas fiscais (não havendo massa salarial critica para sobre ela cobrar impostos, as receitas fiscais baixam);
- Sobrecarga brutal de impostos sobre os que ainda possuem trabalho remunerado (para eliminar a quebra de receitas o Governo deitou mão do tal “aumento brutal de impostos” que nos catapulta para a faixa das mais altas cargas de impostos sobre os cidadãos, a nível mundial);
- Degradação da população ativa devido à fuga do capital humano jovem e bem preparado (sem alternativas no país, os jovens são forçados a procurar colocações no estrangeiro);
- Desestabilização do equilíbrio demográfico (com a fuga de jovens as faixas etárias da população residente descompensam-se). 

Aos céticos das estatísticas, mas  fiéis seguidores das “teorias da redenção” do Governo e do FMI, recomendo que leiam neste “link” o Relatório de Janeiro do FMI, para poderem confirmar, na página 22, que o desemprego real, mesmo sem emigração e sem “biscateiros” se situa na casa dos 20,5%. É só fazer as contas.

Alguém que me explique como (com números) e onde (em que setores) é que o país está melhor.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Flagelo do Desemprego Continua


(Imagem da Internet)

Muito se diz e muito se escreve todos os dias sobre o desemprego em Portugal. Porém, nem tudo se diz nem tudo se escreve. E o pior mesmo é que nem tudo o que se diz e se escreve corresponde à realidade.

De um lado vemos, ouvimos e lemos as posições oficias do Governo que nos “aliviam a preocupação” com a informação de que o desemprego está a baixar desde 2013 (ano em que esteve em 18%), situando-se agora nos 14%.

Se considerarmos Desemprego = Desempregados (cidadãos ativos desempregados e que procuram emprego) esta taxa de 14% (mais décima menos décima) é correta e corresponde mais ou menos a 700.000 cidadãos ativos desempregados (número ligeiramente superior ao de 2011 em que a taxa medida da mesma forma estava nos 12% porque a população ativa era maior).
No entanto, a “posição oficial” esconde propositadamente outros dados que transformam esta questão do desemprego em Portugal num verdadeiro drama desde 2011.

1º dado escondido: - Cerca de 125.000 cidadãos ativos saíram da estatística do desemprego para frequentarem “estágios profissionais”, não remunerados com salário;
2º dado escondido: - Cerca de 360.000 cidadãos ativos saíram da estatística do desemprego porque deixaram de receber subsídio de desemprego e desistiram de procurar trabalho (são os chamados “desempregados desencorajados”.
3º dado escondido: - Cerca de 275.000 cidadãos ativos saíram da estatística do desemprego porque emigraram.
4º dado escondido: - Cerca de 220.000 cidadãos ativos nunca entraram na estatística do desemprego porque praticam o regime do subemprego (fazem biscates em tempo parcial). Este número tem-se mantido  mais ou menos constante desde 2011.

Ora se somarmos estes números obtemos um total de 1.680.000 desempregados efetivos, o que equivale a cerca de 30% da população ativa do país.

Falacioso, dirão alguns “situacionistas”, porque os “biscateiros” e os “emigrantes” não deveriam contar para os cálculos, pois fizeram opções de vida ao enveredarem pela emigração e pelo “biscate”. Embora de veracidade duvidosa (porque se houvesse oferta de emprego os emigrantes não seriam em tal número e os “biscateiros” poderiam exercer a suas profissões por conta de outrem), aceitemos esta critica, e façamos a análise entrando no computo apenas com os cidadãos que verdadeiramente não estão desempregados por opção pessoal - os 700.000 desempregados oficiais, os 125.000 estagiários forçados e os 360.000 “desencorajados” – e chegamos ao pesadelo de 1.185.000, número que equivale a 23% de taxa de desemprego real. Em 2011 este mesmo número era de 15%.

Como dizia o meu avô, há muita maneira de contar a mesma história, dependendo da habilidade do contador e da passividade do ouvinte.


Nota: - Quem quiser recordar o que escrevi sobre o mesmo tema em 2013, clique aqui

sexta-feira, 20 de março de 2015

Portugal Sitiado


(Imagem da Internet)

Com 25 anos de Estado Novo em cima do lombo, seguidos de dois anos de PREC, com COPCON, CDR´s, Listas de Saneamento, Maioria Silenciosa e quejandos, nem, nesses idos e conturbados tempos, testemunhei como agora, tanta safardice, tanta conspiração e tanto desprezo pela democracia e pelos cidadãos como estes tempos a que o atual poder politico nos conduziu ou, pelo menos, deixou que fossemos coletiva e mansamente conduzidos.

Estamos rodeados de poderes fátuos, arquitetados e dirigidos por salafrários, e pessoas reles e incompetentes. E esse estado de coisas, facilitou e até promoveu a emergência de sociedades secretas e de grupos organizados de inimigos da democracia que se digladiam entre si por um pedaço de poder, sempre à custa dos fracos, dos incautos e dos mais pobres. Todos eles possuem nomes conhecidos e nem sempre pomposos, que tomaram por dentro as suas “corporações”, os sindicatos, o poder judicial (policia, juízes e magistrados), os partidos políticos, a imprensa e até o poder eclesiástico já caiu em tentação.

Como se este estado do Estado já não bastasse, tudo fizeram para cá introduzir uma Troika (leia-se usurários representantes de obscuros poderes) de justiceiros da plebe, apoiada por um Governo de estarolas e por um PR dormente, para nos infernizar o resto da nossa vida o que ainda resta dela.

Enganam para atingirem o poder, não cumprem as Leis, nem aquelas que eles próprios fizeram, ameaçam para nos suster, prendem para investigar, acusam para amedrontar, difamam para derrotar e até ousam roubar-nos descaradamente alegando que é em nosso benefício.
Comparados com estes que por cá alapam agora nas cúpulas dos vários poderes, a PIDE, os Tribunais Plenários, o COPCON e os CDR´s eram aprendizes de feiticeiro. Nunca nenhum deles me molestou ou prejudicou e estes agora já, e muito.

Estamos mesmo sitiados.