Boas Vindas

Se é, está, ou foi lixado, seja bem vindo a um blogue P´ralixados. Se não é, não está ou não foi lixado, seja bem vindo na mesma porque, pelo andar da carruagem, mais cedo do que tarde acabará também por se sentir lixado. Um abraço.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Estão a Roubar-nos o Futuro



- Nevão na cidade da Guarda - 
(Uma foto animada (c) de Pralixados alusiva à Quadra Natalícia)

Este será talvez o meu último “post” deste 2013, o terceiro ano consecutivo em que estamos a ser alvo de um terrorismo social sem precedentes. Devido a este facto não posso formular para 2014 os tradicionais votos de “bom ano” porque o não será certamente. Deixo antes um voto de que o próximo ano seja menos mau, é o que desejo para todos os que, como eu, estão a ser vítimas indefesas da tirania deste governo de insensíveis que se regem pelas regras do quero posso e mando alheios ao povo que sofre (ver reportagem aqui).

Dirão alguns, os mais otimistas, os situacionistas (ou os melhor ludibriados), que isto é negativismo, que é “ser do contra”, pois até já se decretou o fim da crise e anuncia-se aos quatro ventos o milagre económico do século, quiçá do milénio, para Portugal. É agora é que vai ser. Aquilo do Pontal de que 2012 seria o ano da retoma, que depois passou para 2013, foi só a reinar com a rapaziada para ver se esta se animava, mas o agora é o que importa, e agora de 2014 é que não passa. Depois logo se inventa uma qualquer desculpa para voltar a mudar o ano.

Pois desiludam-se os que assim pensam, porque o chefe deste conjunto de salteadores, que já nos tinha roubado a esperança, agoracom a sua “mensagem de Natal” ao país, já depois de saber que o OE para 2014 ia mesmo entrar em vigor no dia 1 de Janeiro (ter uma mão atrás do arbusto dá sempre jeito… até para aplicar mais 3,9 mil milhões de austeridade), sentenciou-nos com a continuação do saque, não por mais um ano, não por mais 3 anos, mas por mais 15 ou 20, porque vai ser esse o período em que o efeito destrutivo das politicas absurdamente recessivas de 5 anos (3 passados e 2 já anunciados) se vão fazer sentir.

Deixemos de lado a aldrabice (mais uma) com a criação de 120.000 novos postos de trabalho este ano, que afinal se saldaram por 21.800, e fixemo-nos “apenas” nesta frase da mensagem do chefe “….Fizemos nestes anos progressos muito importantes na redução do défice orçamental, e não fomos mais longe porque precisámos dos recursos para garantir os apoios sociais e a ajuda aos desempregados. A estratégia abrangente que pusemos em prática para salvar o País do colapso, para reformar a economia e trazer prosperidade, está a mostrar os seus primeiros frutos…”. Não pode haver nada de mais esclarecedor quanto ao futuro que nos espera e quanto aos conceitos de "apoios sociais" de "estratégia" de "reforma" e de "prosperidade", que vão por aquelas cabecinhas, e as intenções que as movem,  é só interpretar, sem esquecer que as eleições europeias estão à porta e o discurso tem que ser "soft", que faria se fosse "hard".

Não bastou roubaram-nos a esperança, agora até o futuro nos estão a roubar.
Votos de um 2014 menos mau, mas não se fiem muito nas aparências.


sábado, 21 de dezembro de 2013

O Maioral de Portugal


(Subir Lall – Chefe do FMI na Troika)

Subir Lall deu uma entrevista ao Expresso. Estão ambos no uso dos seus direitos, um de dar entrevistas, o outro de as publicar. O que já entendo que o Sr. Subir Lall não tem direito é de fazer duas coisas:
- Ofender os portugueses do alto da sua arrogância;
- Dizer o que o Governo de Portugal tem ou não tem de fazer face às decisões últimas do Tribunal Constitucional. Há um Governo legítimo no país para decidir isso.

De facto quer o conteúdo, quer a forma das afirmações deste senhor, deveriam fazer corar de vergonha qualquer elemento de qualquer dos Órgãos de Soberania, desde a AR até ao PR passando pelo Governo, e sobretudo este. E sobretudo este porque o Sr. Lall mais não fez, em determinados passos da entrevista, do que dizer ao Governo o que é que ele deve fazer em função da decisão do TC. Vejamos o exemplo mais flagrante:
Disse o senhor que o chumbo do corte de 10% nas pensões dos Pensionistas da CGA só tem uma forma de ser remediado (remediado !!!), é com uma medida com impacto financeiro semelhante porque não há flexibilidade para mexer no deficit. Pois bem, não ouvi um único membro de qualquer dos Órgãos de Soberania refutar esta “decisão da Troika”, e a este propósito vale a pena recordar que 388 milhões de Euros equivalem a 0,25% do PIB, e que uma flexibilização de 4% para 4,25% seria a solução para evitar novo massacre num Povo já massacrado qb. Mas não, insiste-se na austeridade obrigando ou ao aumento de impostos (não são estruturais) ou ao alargamento dos cortes a todos os pensionistas. Depois queixam-se que a economia não descola, pudera.

E andam estes patetas de pin na lapela com a bandeira de Portugal para depois se sujeitarem às ordens de um qualquer funcionário de terceira ou quarta linha do FMI (onde a confusão também deve ser grande, porque este senhor em pessoa, na mesma entrevista, desautorizou a Presidente da Instituição para onde trabalha, quanto à austeridade ter provocado recessão). Tenham vergonha e respeitem os símbolos da Nação, tirando os pins, e ficarão mais descaraterizados para executarem as ordens do estrangeiro, ou então imponham-se.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A Miragem do Oásis pós Troika


(Imagem da Internet)

É previsível (assim consta do plano) que no final do mês de maio do próximo ano, se conclua a última “avaliação” que a Troika vem fazer ao nosso país e com ela consigamos ver essas figuras sinistras pelas costas, se bem que vê-las pelas costas não significa livrarmo-nos do seu jugo.
Com “Segundo Resgate” ou sem ele, com “Programa Cautelar” ou sem ele, o trio da Troika talvez vá, mas ficam cá os outros, aqueles que tudo fizeram para que eles cá pusessem as garras, e entre os que vão e os que ficam, não sei quem nos tem feito mais mal.
Mas com o concretizar desse evento, o nosso pesadelo não vai terminar, bem pelo contrário, e maio de 2014 não está já assim tão afastado para que nos possamos deixar embalar pela miragem do Oásis do pós Troika com a qual o nosso Vice, Paulo Portas, nos anda a pretender enganar mais uma vez.

Apenas para não complicar o que já em si estará nessa altura bem complicado, façamos uma abstração e admitamos que a malta do Governo “são todos bons rapazes” e que até vão fazer um esforço para acertarem em alguma coisa, durante mais um ano que lhes restará de legislatura. Ano durante o qual estão obrigados a deitar mão de um qualquer desesperado golpe de magia, porque em 2015 haverá (haverá?) eleições legislativas e com todo o mal que têm feito ao Povo, sabem que  os espera uma rotunda derrota e há que minimizar os prejuízos tornando-a o mais “soft” possível.
E vai ser nesse momento de pós eleições que a miragem do oásis se vai esfumar como se esfumam todas as miragens, porque quem vier a seguir, (não acredito que possam ser os mesmos, se bem que com a oposição que temos já admito tudo) entre o que pretenderá fazer, e o que gostaria de fazer, vai ter que optar pelo que poderá fazer, tal vai ser o grau de destruição com que se irá defrontar. É que quem vier a seguir, tenha ele a cor que tiver, vai ter que lidar com um desemprego na casa dos 17%, (desemprego real, não o desemprego que só conta com os que ainda resistem em manter a inscrição nos Centros de Emprego e se sujeitam ao formalismo que isso exige). Uma dívida impagável que ultrapassará os 200 mil milhões de Euros (quando este Governo tomou posse era pouco mais de 100 mil milhões). Um PIB de rastos, com pelo menos 9 mil milhões de Euros perdidos em 3 anos, o investimento paralisado e a economia destruída.

No fundo, lá mesmo no fundo, a dura realidade é que teremos retrocedido mais de 30 anos, e vamos ter que repetir o esforço que fizemos nas últimas 3 décadas.
Não há portanto qualquer “Oásis” à vista depois da Troika. O cenário idílico do pós Troika que o Governo nos está a impingir é uma falácia, porque o pós Troika, para recuperar do estado a que o país foi conduzido nestes 3 anos, vai ser um duro caminho de dois ou três lustres de austeridade sobre austeridade, e não é preciso ser especialista de coisa nenhuma para concluir isto, basta analisar aquilo que Passos Coelho disse hoje em Bruxelas a propósito do chumbo do TC nos cortes nas pensões da CGA - aumento de impostos ou corte em todas as pensões - é a solução de qualquer merceeiro estagiário. Só por um qualquer milagre resistiremos na zona Euro por muito mais tempo. Imagine-se o que irá ser a saída do Euro.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Os Malucos Somos Nós

 
(Imagem da Internet)
 
Quando um Ministro (dito da Educação) afirma em direto perante as camaras de um canal de televisão, num “horário nobre”, que:
 
“as suas dúvidas são sobre a formação obtida nas Escolas Superiores de Educação pelos professores”.
 
e, passadas 24 horas, ainda está em funções, os malucos não tomaram conta do manicómio, não, como por aí se diz. Os malucos somos todos nós que ainda não tivemos arte e engenho, e sobretudo lucidez suficiente, para deitar essa canalha para correr. Simplesmente indecente.
 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Um Azar Nunca Vem Só....



 (Imagem da Internet)
Há quem afirme convictamente que o destino está nas nossas mãos, mas há também quem jure que não há forma de fugirmos ao destino que nos está predestinado.
Pois quer o destino seja, uma ou outra destas duas coisas, ou seja ainda uma terceira diferente, a dura realidade é que o nosso destino está a ser “lixado”, senão vejamos a surpresa que ele nos reservou para estes anos loucos que estamos a viver no nosso país, seguramente os piores anos das nossas vidas enquanto sociedade organizada e desenvolvida:

- O pior contexto Económico e Social mundial – Todos os países querem reaver num dia o que investiram em anos, para isso valeram-se da globalização e sobre ela  instalaram a politica do vale tudo e salve-se quem puder. As pessoas deixaram de ser tratadas como seres humanos e são, tendencialmente, números e máquinas de produzir. Desde que produzam, preferencialmente por custo zero, tudo o resto a que não têm acesso, comida, saúde, educação, habitação, são "danos colaterais", como na guerra;
- A pior Europa de sempre – Dirigentes frouxos, a dirigirem uma desunião de facto, e a promoverem descaradamente a supremacia de interesses obscuros e a submissão dos mais fracos e mais pobres, pelos mais fortes e mais ricos. Uma Europa que fará Jean Monnet dar voltas na tumba cada dia que passa;
- O pior Presidente da República – Amorfo, com intervenções a atirarem para o patético, deixou-se enredar na teia da elite económica e financeira, corroeu-o a ambição e acabou aprisionado pelo Governo. É um refém do neoliberalismo, e do qual nada de positivo há já a esperar.
- O pior Governo da Nação – Um Governo recheado de incapazes e inexperientes, comandados por um incompetente neoliberal assumido, incapaz de perceber o contexto histórico em que assumiu a governação e de lhe imprimir uma dinâmica de seriedade e de credibilidade, em defesa do País e do seu Povo. Hipotecou Portugal e o seu Povo aos interesses da Alemanha, e dos usurários da Troika, numa demostração clara de desprezo e desrespeito pelos Portugueses.
- A pior Oposição – Frouxa em tudo o que tem feito, desilusão em tudo o que não fez, e duvidosa em tudo o que promete fazer, na Assembleia e fora dela, mas sobretudo fora dela, porque lá dentro o jogo democrático está viciado. Desde o eclipsado PS (já circulam imagens do AJS com a expressão "procura-se") até à esquerda mais ortodoxa do PCP, não se viu ainda um assomo de propostas e ideias que sejam capaz de nos mobilizar e de fazer o Governo, a Troika e a Europa pensar duas vezes antes de nos continuarem a massacrar por delitos que não cometemos. Toda a Oposição se encontra perdida dentro da floresta a marcar árvores como território próprio, quando deviam estar a sobrevoá-la para verem a sua heterogeneidade, complexidade e extensão. Face a um Governo que quase se auto destruiu e que todos os dias ameaça implodir, a Oposição tinha todas as condições par se apresentar com uma alternativa e como uma alternativa, em vez de se ter deixado aprisionar pelo slogan do “não há alternativa, ou nós ou o caos”. Até faz doer a alma tanta tibiesa e ausência de ideias, e sobretudo de ideais.

Mas como um azar nunca vem só, receio bem que o 4.º elemento da Troika e ex-Ministro das Finanças, não tenha, mais uma vez, acertado nas suas previsões quando disse que "Portugal tem o melhor povo do Mundo". Receio bem que não tenha, porque o melhor povo do mundo não se resignaria, nem ficaria impávido e sereno perante um Governo que em menos de 3 anos conseguiu destruir riqueza no montante de quase 9 mil milhões de Euros (foi quanto o PIB contraiu) apesar de toda a austeridade que impôs aos trabalhadores, aos empresários e às empresas.
Este povo, que está a sofrer uma “punição” sem precedentes acusado de “crimes” que não cometeu, que mesmo a um passo de ser escravizado, ainda assim tudo cala e consente, este Povo não pode ser, seguramente, o melhor povo do mundo porque está abdicar de si próprio e a deixar hipotecar o futuro dos seus descendentes a troco de uma ideologia redutora de tudo o que seja sensibilidade, solidariedade e liberdade.
O que é que vamos deixar aos vindouros?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Acaso Estará Tudo Doido?

(Imagem da Internet)
Partindo da premissa de que a cabeça é a única parte do corpo que serve aos humanos para pensar, tenho necessariamente que concluir que anda por aí muita gente sem a cabeça. 

Esta semana temos sido bombardeados com previsões otimistas para o próximo ano, para Portugal. Desde a OCDE, à Comissão Europeia, passando pelo BCE e pelo Banco de Portugal, ele vai ser só crescimento a torto e a direito.
Algumas previsões são até mais otimistas que as do próprio Governo, falando em crescimento do Consumo Interno já com um dígito, crescimento das Exportações também com um dígito, crescimento do PIB...; E o mais estranho é que todos os economistas com lugar na praça alinham nesta tese sem depois terem qualquer explicação suportada ou sustentada.

Não quero ser o recruta que na parada vai a marchar com o passo trocado, e que acredita que é toda a Companhia que vai com o "passo trocado", e ele é que vai com o passo certo, mas também não posso deixar de pensar pela minha cabeça e interrogar-me: - Então como é que vamos crescer em 2014, com um Orçamento recessivo, como o que está aprovado para esse mesmo ano? já o analisei e reanalisei todinho, e aconselho os prestidigitadores de serviço que também o façam, porque eu não vejo lá nada que me possa levar a assinar esta petição pública que está em curso, antes pelo contrário, se o que lá está for mesmo para aplicar, vamos ter mais do mesmo como resultado.

Acaso estará tudo doido, ou será que pura e simplesmente deixaram de pensar?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O Trigo e o Joio

Quando, há cerca de ano e meio, o Sócrates disse numa conferência em Paris que “… as dívidas dos países não são para pagar, mas sim para gerir…”, por cá os partidos do Governo e os seus aliados à esquerda, rasgaram as vestes na praça pública de tão indignados que ficaram. Heresia, fogueira com ele, gritavam uns, prenda-se o homem gritavam outros atiçados pelo Secretário Geral da JSD.

Acontece que, geralmente, as pessoas possuem memória curta e agora passados poucos meses dessa “indignação de falsas virtudes” o Governo do PSD/CDS se confrontou com “um probleminha”: - Nos próximos dois anos iam vencer-se (atingiam a “maturity”), nada mais nada menos do que quase  27 mil milhões de Euros em Dívida Publica Portuguesa, representada por Obrigações do Tesouro (OT´s) e por Bilhetes do Tesouro (BT´s). Mais concretamente 13,475 mil milhões em 2014 e 13,406 mil milhões em 2015.
Pois bem, o que fizeram então os nosso ilustríssimos e seriíssimos governantes que chamaram “charlatão” ao Sócrates? Trataram de seguir a teoria do homem, “gerir a dívida”. Montaram uma Operação de Troca  de Dívida, ou seja trocar os títulos representativos de parte dessa dívida por outros com vencimento respetivamente em 2017 e 2018. O montante “trocado” não foi de desprezar uma vez que montou a 6,6 mil milhões (2,4 mil milhões que se venciam em 2014 e quase 4,2 mil milhões que se venciam em 2015). Nada mais nada menos do que empurraram a dívida com a barriga mais três anos (para 2017 e 2018) para a somarem à que se irá vencer nesses anos e quem vier atrás que feche a porta, ou seja: adiaram a evidência do fracasso e mascararam o desastre que está a ser o “Programa de Ajustamento” uma vez que não iam ter qualquer possibilidade de liquidar estes valores nos próximos dois anos, como os que estiverem no Governo em 2017 e 2108 não terão. O desastre acabará por ocorrer.

Mas esta operação não se fica pela encenação de um passe de mágica que o Governo classifica como "êxito total" (!!!) e "início do regresso aos mercados" (???), é que ela não injetou um cêntimo no capital circulante do país (não houve investidores estrangeiros envolvidos) e aqui é que está a grande falácia da propagandeada operação; A operação foi acertada com os Bancos nacionais e com o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, tutelado pelo Ministro da Lambreta (o tal Instituto que gere os nossos descontos para a SS e assegura o pagamento as nossas reformas e que o Governo diz que está na falência !!!) e foram estas entidades que ficaram com a dívida, ainda por cima quase ao dobro da taxa de juro que os títulos trocados tinham.

Nada como o tempo para separar o trigo do joio e nos revelar a verdade que a bruma da proximidade ofusca.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Anúncio (I) - Procuram-se Governantes com Vergonha

 
(Imagem da Internet)
 
Com a chegada dos sobas da Troika para mais uma avaliação da sanzala, temos assistido nos últimos dois dias a uma encenação desavergonhada do Governo, querendo fazer-nos crer que está num braço de ferro com o FMI por causa dos salários no setor privado.
 
Vende-nos o Governo através dos seus vários papagaios do CDS-PP, e do PSD/PPD empoleirados em alguns estratégicos órgãos de comunicação social, que o FMI pretende baixar alguns salários no setor privado, mas que isso é uma profunda injustiça com a qual o Governo não concorda nem pactua. Até já ouvimos do Primeiro Ministro, da Ministra das Finanças e do Ministro da Economia a afirmação que “… não são defensores de salários baixos… o setor privado já fez o ajustamento….blá blá blá”.
 
Ora é preciso não ter mesmo vergonha nenhuma para vir a público com esta manobra de diversão para enganar o cidadão votante, sobretudo se o cidadão votante, como eu, não se lembrar que em 60 anos conhecemos 18 Governos em Portugal. De todos eles, este foi o que mais castigou os cidadãos com redução dos salários nominais e reais, redução de pensões e reformas e aumento de impostos, e isto só nos dois anos e meio passados, porque o próximo ano vai ser mais do mesmo (consulte-se o Orçamento do Estado para 2014).
 
Estamos perante uma ação combinada e concertada com a Troika que é preciso denunciar, para bem da nossa saúde mental.
 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O Dia em que Acabou a Crise

(Concha Caballero ***)

Hoje abdiquei de expressar a minha opinião e não resisti a transcrever neste espaço um artigo da espanhola Concha Caballero.

Trata-se de uma artigo escrito e publicado já em meados do corrente ano, mas que mantém toda a sua atualidade (ou terá mesmo mais), toda a sua perspicácia e toda a sua objetividade. Não deixem de ler.

==================================

Título: - O Dia em que acabou a crise.

Subtítulo: - Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários.

Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.

Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objetivos foram claros e contundentes:

Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários

Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o fator determinante do produto; quando tiverem feito ajoelhar todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, então a crise terá terminado.

Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, então terá acabado a crise.

Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (exceto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenham destruído todas as pontes de solidariedade. Então anunciarão que a crise terminou.

Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.

Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.

Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: Um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.

Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.

(***) - Concha Caballero é licenciada em Filologia Espanhola e professora de literatura num instituto público. Foi a porta-voz do grupo da Esquerda Unida no Parlamento da Andaluzia, e abandonou a politica dececionada com a coligação eleitoral do seu partido. Há anos que passou do exercício da politica ativa para analista e articulista, social e politica, de vários meios de comunicação, com destaque para o EL PAÍS. É uma amante da literatura e firmemente humana com as questões sociais.

Clique no link abaixo e leia o artigo Original em Castelhano

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Uma Obsessão Pela Destruição


(Imagem da Internet)
Já escrevi neste blogue, (ver este post), que a solução para o desemprego a nível mundial, tem que passar necessariamente pela diminuição das horas de trabalho (e não estou sozinho nesta defesa. P. ex. Robert Skidelsky, Economista e membro da British House of Lords, professor jubilado de Economia Política na Universidade de Warwick, é também um defensor acérrimo desta aproximação ao problema do desemprego).
Ora ao que assistimos é exatamente ao contrário, ou seja ao aumentar das horas de trabalho de cada trabalhador. O exemplo acabado da fixação nessa opção, no nosso país, está no recente aumento do horário de trabalho dos funcionários públicos.

Mais uma vez nada melhor, para demonstrar a irracionalidade destas opções, do que números, e vamos a eles:
- Os funcionários públicos, em Portugal, e ao contrário do que o Governo nos quer fazer crer, não são atualmente demais, e, tendo em conta os 4,5 milhões da População Ativa,  estão até abaixo da maioria dos países europeus e da média da OCDE , conforme gráfico abaixo. Estamos portanto perante uma falácia, mais uma, do nosso Governo.
(Evolução dos Funcionários públicos em % da População Ativa, entre 2001 e 2011, segundo a OIT)

Mas regressemos ao aumento do horário de trabalho, e comecemos por  passar em revisão a evolução da diminuição dos funcionários públicos em Portugal, em valores absolutos:
- Em Janeiro de 2005 eram 748.000
- Em Janeiro de 2011 eram 663.000
- Em Maio de 2012 eram 608.000
- Em Julho de 2013 eram 575.000
(Redução de 173.000 (23%) em 8 anos, à razão de 21.625 ao ano (83 por dia).

Na falta de números atualizados, fixemo-nos nos 575.000 de julho. Estes funcionários com um horário de 7h por dia, asseguram ao Estado uma produção de trabalho mensal equivalente a 84.525.000 horas/homem (12.075.000 dias/homem).

Acontece que com o aumento de 1 hora por dia no horário de trabalho, para assegurar a mesma produção de trabalho bastarão 503 mil funcionários ((84.525.000/21 dias)/8horas).
Ou seja, com esta medida o Governo coloca implicitamente na situação de potenciais excedentários 72.000 funcionários, quase  tantos quantos os que foram reduzidos desde Janeiro de 2011.

Agora imagine-se a calamidade social que se gerará se este mesmo princípio, em contraciclo com o que deveria estar a ser feito, começar a ser aplicado no setor privado, onde há muitas convenções para as 35 horas de trabalho semanal.

Se esta medida e outras como ela não são uma obsessão que este Governo do PSD/CDS tem pela destruição, não sei o que é nem obsessão nem destruição.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O Grande Embuste III - Foi o Governo PS do Sócrates que Endividou o País.

Gráfico 1 - Agravamento das dívidas de 5 Estados entre 2005 e 2010
(Clique na imagem para ampliar)
  
Gráfico 2 - Agravamento das dívidas dos mesmos 5 Estados entre 2010 e 2012
(Clique na imagem para ampliar)

De entre os vários embustes que este Governo do PSD/CDS nos brindou, desde o "desvio colossal" até à "cultura do despesismo", está a questão da Dívida Publica de Portugal. Começaram por lançar a atorada que o PS através de Sócrates tinha endividado o país mais do que qualquer outro na Europa e que "era o crescimento da dívida que estava a impedir a competitividade da economia e o crescimento do país". Depois afirmaram "mas... vai ser este Governo a pagar a dívida" (chegaram até a enxovalhar o Sócrates quando ele, já em Paris, disse que as dívidas dos Estados não eram para pagar, mas sim para gerir). E acabaram endividando em dobro Portugal.

Vamos então aos números, porque estes não mentem:

No 1º gráfico podemos ver a evolução das Dívidas de 4 países (Portugal, Espanha, Reino Unido e Alemanha) durante os Governos Sócrates desde 2005 até 2010 (em 2011 já o Governo foi do PSD/CDS). O agravamento em 5 anos foi de:

- Reino Unido    73% (14,6% ao ano)
- Espanha         64% (12,8% ao ano)
- Portugal         56% (11,2% ao ano)
- França            39% (  7.8% ao ano)
- Alemanha       35% (  7,0% ao ano)

Portugal, em 5 anos, teve um crescimento da sua dívida em 58,06 mil milhões (de 104,41 para 162,47 MM), à razão de 11,6 mil milhões ao ano, e muito longe de ser o campeão do endividamento.

Nº 2º gráfico, que representa já o período do Governos dos “salvadores da Pátria” do PSD/CDS, podemos ver a evolução da Dívida dos mesmos 4 países (ainda não há dados para 2013, mas há projeções de especialistas para fecharmos o ano de 2013 com uma dívida de 227 mil milhões de Euros, ou seja, cada português “deverá”  22.700,00€):

- Espanha         37% (18,5% ao ano)
- Portugal         26% (13,0% ao ano)
- Reino Unido    26% (13,0% ao ano)
- França           15% (  7,5% ao ano)
- Alemanha        5% (  2,5% ao ano)

Portugal, em apenas 2 anos, teve um crescimento da sua dívida em 42,37 mil milhões (de 162,47 para 204,84 MM) à razão de 21,19 mil milhões ao ano, e com uma taxa de endividamento anual maior. Ou seja, os “salvadores da Pátria”, que tudo fizeram para termos cá a Troika para nos “salvar da bancarrota” e ajudar a resolver os nossos problemas estruturais, agravaram em dobro o endividamento anual do país.

Estes números ainda dão para outras conclusões, nomeadamente para ver que país está a lucrar com a desgraça alheia, mas mais palavras para quê, se “estamos no bom caminho”?

Os dados são do Eurostat e podem ser consultados aqui

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um País Destroçado

(Imagem da Internet)
 
Um país a envelhecer, onde os velhos são explorados, roubados, maltratados e depois abandonados à sua sorte;
Um país sem trabalho, onde os que ainda conseguem ter um são assaltados pelo “Governo”;
Um país sem empresas, onde os empresários que sobrevivem são espoliados com impostos;
Um país a empobrecer, onde os pobres são humilhados;
Um país com uma juventude resignada, à qual roubaram o futuro;
Um país com um Governo de personagens inqualificáveis e inadjetiváveis, que protege, deixa à solta e por julgar, os ladrões que roubam o Estado;
Um país sem oposição às politicas do Governo, porque tem telhados de vidro;
Um país sem justiça, onde grassa a impunidade e o delito é recompensado;
Um país destroçado, do qual, no fim desta “aventura politica”, restarão apenas ruínas;
Um país sem rumo;
Um país em agonia e sem esperança;
Um país em marcha fúnebre.
Ou não era este o meu país, ou
Já não reconheço o meu país.
 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

No Fim Não Restará Pedra Sobre Pedra


(Imagem da Internet)

Pouco me importa se os irreversíveis danos que este Governo do PSD/CDS está a causar a Portugal têm por fundamento uma convicta politica neoliberal, são uma fixação utópica da direita, são um qualquer fanatismo ideológico, ou se são simplesmente ações inconscientes de um bando de rapazolas que decidiram tirar uns tempos de férias para brincarem aos governos.

O que me importa, e isso importa-me muito, são as consequências dos maléficos atos deste punhado de tresloucados lesa povo e lesa pátria, que se julgam "iluminados" e que, por esse facto, defendem, e até acreditam, no “ou nós ou o caos”.

A realidade pura e dura é que com eles é que é o caos, com eles foi o caos, com eles está a ser o caos e com eles continuará a ser o caos até ao final do mandato de que estão investidos, findo o qual quase tudo terá sido destruído, desde os pilares de um Estado Social justo e equitativo, passando pelos pilares da economia até aos alicerces da democracia. Um povo sofrendo, um povo sem trabalho, um povo sem esperança, um povo a empobrecer, senão mesmo a caminho da miséria, o que menos lhe interessa é a democracia. Acordem senhores políticos enquanto ainda é possível salvar alguma coisa deste  cataclismo que nos coube em sorte.

E a propósito de políticos, por onde para a Oposição? Já não pergunto pelo senhor Presidente da República porque esse aliou-se aos tresloucados e perdeu-se no caminho, mas uma oposição esclarecida e esclarecedora, séria e sem calculismos eleitoralistas, era capaz de nos ajudar um pouco, se existisse, digo eu.

Continuar assim é que não, no fim não restará pedra sobre pedra.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Mentira não Resiste ao Tempo

(Abraham Lincoln em 1860 – Retrato da Wikimedia)

"Pode-se enganar a todos por algum tempo;
Pode-se enganar alguns por todo o tempo;
Mas não se pode enganar a todos todo o tempo"
- Abraham Lincoln (1809 - 1865) 16° presidente dos Estados Unidos, entre 1861 e 1865 

Embora haja sempre lugar para aqueles que querem continuar a ser enganados - até ao momento de lhes tocar o desaire à porta -, tomando por base esta frase do Lincoln, que acaba por ser um senso comum, é assim expectável que as mentiras deste Governo do PSD/CDS, sobre a real situação a que, em dois anos e meio, conduziu o país, comecem a ser desmascaradas a pouco e pouco.

A última mentira para desmascarar é a do desemprego. Dizem-nos que baixou para 15,6% (menos 48 mil desempregados num ano).
É verdade, e ainda bem que assim é. O que não dizem é que o desemprego se mede em função da População Ativa (pessoas em condições de poderem exercer uma profissão), dividindo o número de desempregados de entre essa população pela sua totalidade. Ora como dessa população ativa desapareceram, num só ano, 170 mil pessoas - 120 mil que emigraram (à razão de 10 mil por mês) e mais 50 mil que desistiram de procurar trabalho nos Centros de Emprego - o resultado salda-se por uma destruição de emprego líquido, num só ano, de 122 mil postos de trabalho, valor que desaparece do numerador e do denominador da fração, (120 mil, mais 50 mil, menos 48 mil). Ora aqui está mais uma aldrabice para enganar os incautos e os que querem ser enganados, e assim vamos... no bom caminho, porque quando não houver População Ativa a taxa de desemprego será zero, pois não havendo ninguém para trabalhar também não haverá desemprego.

Só para termos uma ideia da real dimensão do problema que Portugal tem em mãos com o desemprego, vamos dar uma olhada ao quadro abaixo - construído no site do FMI - que representa 3 vetores sobre a variável tempo (clique no quadro para o ampliar). A variável tempo são os anos de 2005 a 2013 os vetores são:
- Taxa de desemprego (Unemployment rate);
- Pessoas empregadas (Employement);
- População total (Population).

Já consultou o quadro? Então pode tirar esta conclusão: - A população portuguesa com emprego no final de 2010 era de 4,93 milhões. A projeção para o final de 2013 salda-se por 4,48 milhões, ou seja em 3 anos este Governo destruiu 450 mil postos de trabalho. Esta é a realidade dos números e não a que os peritos em pantomina, do Governo, nos apregoam.

(População e Desemprego em Portugal - Clique na imagem para a ampliar)

Aproveite para reler este "post" sobre o Desemprego clique aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Os Impostos há 40 anos, e o Retorno para o Cidadão


(Imagem de um recibo de salário de 1974)
- clique na imagem para ampliar -

Em 1974 este salário de 4.000$00 (quatro mil Escudos) era o salário médio de um chefe de família de classe média baixa. Equivaleria, mais ou menos, a um salário de cerca de 1.000€ na atualidade.
Para o trabalhador, as taxas dos Impostos para este salário eram as que estão expressas no Recibo da imagem acima (10% no total).
Na atualidade, para um salário de 1.000€ as taxas são de 23,5% (mais do dobro), como segue:
 - Segurança Social: 11% (aumentou 37,5%);
 - IRS (antigo Imposto Profissional): 12,5% (aumentou 500%).

Não nos podemos esquecer que atualmente a entidade patronal também paga 23,75% sobre os salários dos empregados para a Segurança Social e que em 74 pagava o mesmo que o empregado.
Àh! e agora temos também o IVA, (apesar de ser um imposto indireto sobre os salários) que naquela altura não sobrecarregava o nosso orçamento familiar (havia o pai dele que se chamava Imposto de Transações, mas com taxas quase residuais e insignificantes ao pé das taxas do atual IVA).

Enquanto que há 40 anos um empregado com este salário levava para casa 90% do que o patrão lhe pagava, agora um empregado equiparado leva 76,5%, valor ao qual tem que deduzir as elevadíssimas taxas de IVA, pelo menos 16% em média, em tudo o que compra.

Por este andar, quem cá estiver daqui a mais 40 anos vai voltar a ser remunerado como se remunerava o trabalho na Idade Média: - Trabalhar, de sol a sol, a troco de alimentação e alojamento proporcionados pelo senhor feudal (o dono dos meios de produção), portanto trabalhar sem salário real.

Mas agora ainda há a considerar mais um fator, e não sei mesmo se mais importante que a enormidade de impostos que pagamos: - Os benefícios sociais que tínhamos de retorno dos nossos impostos eram melhores do que os que na atualidade nos proporciona o "Estado Social" que os neoliberais do Governo querem piorar ainda mais. Vou dar exemplos pessoais:

- Em 1973 necessitei de ser submetido a uma cirurgia com alguma complexidade uma vez que envolvia intervenções diretas nos vasos sanguíneos dos membros inferiores. O que precisei então de fazer: - Deslocar-me ao "Posto da Caixa" da minha área de residência, marcar a consulta para o médico da especialidade (sem custos) e em menos de um mês tinha feito um role de análises (gratuitas) e estava a ser operado na Clínica da Reboleira (Amadora), tendo a "Caixa de Previdência" - era assim que se chamava na altura a Segurança Social - tratado de todo o processo burocrático para o internamento. Apenas tive que me apresentar no dia e hora marcada na Clínica. Estive internado 5 dias e tive mais 3 semanas de convalescença. Quanto paguei? Zero, repito, paguei zero (exeto os medicamentos da convalescença que tinham um custo residual para o utente). Atualmente começamos logo a pagar na primeira consulta, pagamos pelas análises, e depois ainda aparece a conta do Hospital, no qual, com alguma sorte fomos admitidos após largos meses de espera.

- Outro exemplo: - No início da década de 70, o Ministro Veiga Simão (que fez uma verdadeira reforma do ensino em Portugal, que devia deixar corado de vergonha o Ministro Crato) instituiu o Ensino Oficial Noturno nos Liceus e em algumas Universidades para quem queria estudar, mas tinha que trabalhar (até aí só havia nas Escolas Técnicas e no ensino particular) benefício de que eu próprio usufruí. Tínhamos à nossa espera, antes de iniciar as aulas, uma Cantina com uma sopa quente, e pagámos uma propina anual simbólica e ainda tínhamos direito a livros gratuitos cedidos pela Instituição. Onde estão hoje estes benefícios? Até o ensino noturno acabou.

- Outro exemplo ainda: - Nesses idos anos 70, poucas pessoas tinham carro próprio (também não tinha a utilidade que tem hoje, era um objeto de lazer) e a maioria das pessoas deslocava-se para o trabalho de transportes públicos, que eram suficientes e regulares, a preços acessíveis e sem filas e acotovelamentos nas paragens. No meu caso pessoal, que trabalhava em Lisboa e morava na Cova da Piedade, bastava-me sair de casa às 8h00 para estar no trabalho às 8h50. 50 minutos, incluindo a travessia de barco. Na atualidade, além do exorbitante aumento do preço dos transportes, apenas podemos ter certezas quanto à hora de saída, a de chegada, quando se chegar logo se vê quantas horas foram.

É caso para perguntar: - Se nessa época os Impostos que eram muito menos "pesados" davam para tudo isto, ainda havia crescimento e Portugal não tinha dívidas ao estrangeiro, onde é que estes salteadores que nos governam metem o dinheiro que nos tiram em impostos?
É que é preciso não esquecer que temos dos mais altos impostos da Europa.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Quando é que Saímos do Euro?

(Imagem da Internet)

Fui um euro-defensor convicto. Lamentável e infelizmente, tenho que dar a mão à palmatória e concluir que sair do Euro será inevitável para Portugal. É só uma questão e tempo. E quanto mais tempo “aguentarmos” mais penosas vão ser as consequências dessa saída porque estaremos mais de tudo, mais pobres, mais endividados, mais desempregados, mais descredibilizados, mais intolerantes e sobretudo muito mais frágeis.

Portugal, e não só, mas é Portugal que nos deve interessar, neste momento está na Zona Euro apenas a servir de tampão protetor aos países do centro. Somos uma espécie de “tropa de infantaria” que é deixada na frente de batalha  para “aguentar” o inimigo e proteger o corpo do exército enquanto este se põe a recato. É isto que interessa ao centro da Europa, ainda que para tal tenham que ir entrando com algum dinheiro de recuperação duvidosa e que nos custa sangue suor e lágrimas em sacrifícios inglórios. O que eles nos dizem é “aguentem, aguentem” que estão no bom caminho. O que eles pensam é “aguentem aguentem” porque  enquanto aguentarem nós estamos a salvo e até vamos enriquecendo mas azar dos azares, o "fogo" começa a chegar ao coração da Europa, ainda ontem a Agência de Rating S&P baixou o rating da França de AA+ para AA.

Reconheço hoje, com bastante mágoa pessoal, que comprámos uma ilusão com a nossa entrada no Euro, e que os países  que estão a lucrar (muito) com esta situação sabiam a ilusão que nos estavam a vender porque tudo isto foi minuciosamente premeditado.

No contexto em que nos encontramos, e por muito que os fanáticos do Governo apregoem que "já estamos a dar a volta" e "agora é que é", ou ocorre muito rapidamente uma reviravolta de 180º na politica, na atitude e sobretudo na ação da Europa, ou, a não ser que queiramos mesmo perder a nossa identidade (a independência já a perdemos), teremos que considerar muito seriamente a pergunta:

- Quando é que saímos do Euro?

Tenho plena consciência dos impactos dramáticos que uma saída (mesmo controlada) do Euro terá para Portugal e os efeitos que causará nos restantes países. Desde logo a dívida de Portugal disparará por força da desvalorização da moeda local (Escudo?) que venha a circular. Ficaremos todos mais pobres na proporção direta dessa desvalorização (há quem arrisque 30%, há quem aposte em 60%), mas o que quer que seja será de uma vez. Daremos um grande trambolhão, mas sabemos onde caímos e como levantar-nos. Acresce que, se este bando de salteadores que se diz Governo, não o esturrou já, ainda temos 382,5 toneladas de reservas de ouro no Banco de Portugal, ouro que à cotação de hoje valem 15.500.000.000,00€. (A propósito de esturrar ouro, vale a pena reler este post).

Já poucos se lembrarão, mas em 1983 (entre desvalorização cambial e taxa de inflação - de 30%) empobrecemos num ano cerca de 40% e ninguém morreu por isso. Agora estamos a morrer aos poucos, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Já lá vão 5 anos, já empobrecemos, em média, 25% e não se vê a "tal luz" ao fundo do túnel. A aliança da Srª Merkel com o SPD na Alemanha "acendeu" essa luz, mas rapidamente se apagou e apagada continua enquanto Portugal está a morrer na escuridão e a caminho do obscurantismo.

Se não for antes, pelo menos lá para meados de 2014 este tema de Portugal sair do Euro, deixará de ser tabu. É só esperar pela execução orçamental de 2014 (com os retificativos da praxe) e o Governo voltar à receita de mais austeridade de milhares de milhões sobre os mesmos, nós.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Propaganda e a Realidade

 
(Imagem publicada no “Jornal Sol” – clique para ampliar)
 
Esta imagem foi publicada na versão eletrónica do Jornal SOL no passado dia 28, e, como sempre, uma imagem vale por mil palavras.
 
Falta nela um dado importante - qual era o “ponto de partida” - ou seja, qual era a carga de impostos a que os portugueses estavam sujeitos em 2010, que já era a 6ª mais elevada da Europa, ou seja só cinco países (Itália, França, Bélgica, Irlanda e Suécia) tinham naquele ano uma carga fiscal maior que Portugal. Mas mesmo sem essa informação dá para perceber o “castigo” a que os Governos do PS em 2010 e o atual Governo do PSD/CDS em 2013, este com o seu “brutal aumento de impostos”, submeteram o país catapultando-o para o 2º lugar dos países da UE que viram a sua carga fiscal a subir mais. Pior só a França. E a verdade é que um grande aumento sobre uma carga baixa (caso da República Checa), não é o mesmo que um grande aumento sobre uma carga já elevada como era a nossa já em 2012.
 
Para quem não esteja familiarizado com estes números, este aumento de impostos, equivalente a de 2,1% do PIB, equivale a um aumento da receita do estado em 3,5 mil milhões de Euros quase tanto como as “medidas de austeridade” (leia-se cortes) prevista no OE para 2014.
 
É assim, pela evidência dos números que se prova quão falsa é a afirmação (mais um embuste) do Governo, e dos seus papagaios às ordens, de que a carga fiscal em Portugal ainda tem margem para crescer. Infelizmente, mesmo já esmagados por ela, é o que temos de mais certo para o ano de 2014, e ter que arranjar mais "margem" à força, tal como escrevi neste post. Aliás o Governo, nestas duas últimas semanas, já falou demasiadas vezes no "recurso aos impostos" e isso não é um bom sinal.
 
É caso para insistir, mais uma vez na pergunta: - tantos cortes, tantos impostos, tanto sacrifício, para quê, se estamos cada vez pior, ao fim de quase três anos de punição? Quem é que se anda a abotoar com tantos milhares de milhões para esta punição não ter fim à vista?